Quem venceu a guerra das redes na nova briga da família Bolsonaro
A crise pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro provocou uma avalanche de repercussões nas redes sociais e reforçou um conflito político que, segundo analistas ouvidos no programa Os Três Poderes, vinha sendo construído desde que Jair Bolsonaro escolheu o filho como candidato do PL à Presidência da República (este texto é um resumo do vídeo acima).
O levantamento exclusivo da DataLab Ativa Web apresentado pela editora Laryssa Borges mostra que a ampla maioria das manifestações digitais apoiou Michelle, enquanto os participantes do programa apontaram que o episódio do Ceará apenas antecipou uma disputa pela liderança do bolsonarismo.
O que mostram os números?
Segundo Laryssa Borges, o instituto analisou 107 milhões de manifestações publicadas nas redes sociais ao longo de nove dias sobre os principais temas da política nacional. Desse universo, 32,1 milhões trataram exclusivamente dos vídeos divulgados por Michelle Bolsonaro. “Isso dá mais de 10 milhões de manifestações por dia”, afirmou.
O levantamento mostrou ainda que 64,7% das publicações apoiaram Michelle Bolsonaro. Outros 24,6% fizeram críticas à ex-primeira-dama e 10,8% foram classificados como neutros. Segundo a editora, o episódio rapidamente eclipsou outros assuntos que dominavam o debate político, como as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, Jaques Wagner e o Banco Master.
Por que o vídeo preocupa tanto a campanha de Flávio?
Na avaliação de Laryssa, o maior problema para Flávio Bolsonaro está no público feminino. “O vídeo foi péssimo pro Flávio por uma questão de cálculo político”, afirmou.
Ela lembrou que, segundo pesquisa Datafolha citada durante o programa, Flávio registra 53% de rejeição entre as mulheres, enquanto Lula aparece com 40%. A situação, segundo a jornalista, torna-se ainda mais delicada quando a principal liderança feminina do bolsonarismo afirma publicamente ter sido desrespeitada e maltratada pelo próprio candidato do partido.
Laryssa acrescentou que, nos bastidores, aliados passaram a demonstrar desconfiança sobre relatos feitos por Flávio envolvendo conversas com Jair Bolsonaro, percepção que já teria provocado ruídos políticos em estados como Ceará, São Paulo e Santa Catarina.
Como o Ceará virou o estopim da crise?
Ricardo Ferraz explicou que o conflito ganhou força após as negociações eleitorais no Ceará. Michelle defendia o apoio ao senador Eduardo Girão e pretendia indicar Priscila Costa para disputar uma vaga ao Senado. O acordo político fechado por André Fernandes com Flávio Bolsonaro, porém, resultou no apoio a Ciro Gomes e na indicação de Alcides Fernandes para o Senado.
Foi justamente uma entrevista concedida por Ciro Gomes às Páginas Amarelas de VEJA que, segundo os participantes do programa, levou Michelle a gravar os vídeos.
Ao comentar o episódio, José Benedito afirmou que a insatisfação da ex-primeira-dama vinha sendo construída havia meses. “A Michelle já tinha publicado reposts sobre a entrevista na segunda-feira, anunciando que faria um vídeo para explicar o Ceará. O vídeo veio na quarta e foi preparado com cuidado, não foi de afogadilho”, disse.
A disputa vai além do Ceará?
Para José Benedito, o episódio revela uma disputa mais ampla por espaço político dentro do bolsonarismo. “O episódio do Ceará é decisivo porque a Michelle vem tentando se cacifar politicamente nos estados e tem encontrado dificuldade tanto do PL quanto dos filhos”, afirmou.
Segundo ele, situações semelhantes ocorreram em São Paulo, quando Michelle tentou apoiar Rosana Valle para o Senado e enfrentou resistência de Eduardo Bolsonaro, e em Santa Catarina, onde defendeu Caroline de Toni, entrando em rota de colisão com Carlos Bolsonaro.
No Ceará, disse o editor, a escolha pela aliança com Ciro Gomes foi a “gota d’água”. Durante o vídeo, Michelle lembrou que Ciro já fez duras críticas a Jair Bolsonaro e aos filhos do ex-presidente e questionou por que essas declarações foram deixadas de lado para viabilizar um acordo eleitoral.
Michelle amplia seu espaço político?
Na avaliação de José Benedito, a atuação da ex-primeira-dama à frente do PL Mulher tem produzido um resultado que surpreendeu até integrantes do partido. “Michelle está fazendo à frente do PL Mulher o que a esquerda tentou e não conseguiu: uma mobilização real com o eleitorado feminino conservador”, afirmou.
Ricardo Ferraz acrescentou que Michelle conseguiu dialogar com mulheres conservadoras, evangélicas, trabalhadoras e mães solo, ampliando a presença do bolsonarismo em segmentos que tradicionalmente demonstravam maior resistência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o apresentador, esse movimento ajuda a reduzir parte da rejeição histórica do grupo entre o eleitorado feminino.
A crise pode ter novos capítulos?
Outro ponto destacado pelos participantes foi o encerramento do vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro. Segundo Laryssa Borges, ao afirmar que contou “quase tudo”, a ex-primeira-dama deixou aberta a possibilidade de novos episódios envolvendo os bastidores da família Bolsonaro.
Enquanto isso, observou Ricardo Ferraz, Michelle volta ao centro do debate político justamente quando termina o prazo da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e novos acontecimentos envolvendo o ex-presidente voltam a ocupar espaço no noticiário.
Na avaliação dos participantes de Os Três Poderes, a repercussão digital do episódio mostrou que o conflito familiar ultrapassou os limites das relações pessoais e passou a integrar a disputa política pela liderança do bolsonarismo às vésperas da campanha presidencial de 2026.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.