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Quênia nega a rastafáris direito de fumar maconha por motivos religiosos

15 de Julho de 2026, 16:53 9 visualizações
Quênia nega a rastafáris direito de fumar maconha por motivos religiosos

Um tribunal do Quênia proibiu nesta quarta-feira, 15, o uso de maconha pelos rastafáris. No país, o movimento é visto como religioso e, de acordo com eles, o uso da planta faz parte de suas “meditações religiosas”. Membros da comunidade consideraram a medida governamental como um ataque à “espiritualidade africana”.

O movimento rastafári teve início na Jamaica na década de 1930, e coincidiu com a coroação de Haile Selassie, ex-imperador da Etiópia, que foi considerado por seguidores como um novo Messias, a reencarnação de Deus (ou, na religião, Jah). O movimento foi difundido por todo o mundo e se define como místico, pan-africanista, anticolonialista e vegetariano.

No Quênia, o grupo aguarda há anos pela decisão da Justiça sobre o uso da maconha. Eles querem que o país libere o uso da planta com base nas liberdades de culto garantidas pela Constituição queniana. O tribunal do país, porém, considerou que não houve demonstração suficiente de por que a legislação afetaria suas liberdades religiosas e rejeitou o pedido de forma total.

Em decisão, o juiz do caso destacou que “não houve consenso sobre se seu uso é essencial ou simplesmente preferível”, mesmo que as testemunhas tenham concordado que a cannabis é usada como sacramento. Um dos autores da ação, Ras Dimo, de 40 anos, declarou à AFP que a decisão reflete “as leis da opressão, leis coloniais que buscam menosprezar a espiritualidade africana”. “Os ‘rastaman’ só querem queimar esta planta sagrada para que o incenso se eleve até o Todo-Poderoso”, acrescentou.

Os rastafáris do Quênia denunciam assédio policial devido a uma lei de 1994, que pune a posse de maconha para consumo pessoal com 10 anos de prisão e uma multa elevada. Apesar de negar o direito, o tribunal reconheceu que a legislação é severa demais, levando em consideração que o consumo recreativo de cannabis se generalizou no país.

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O “status quo parece insustentável”, afirmou o tribunal, que defende “conversas francas sobre a maconha e que rumo tomar”. O país africano reconheceu de fato o rastafarianismo em 2019, quando um tribunal decidiu que expulsar uma estudante da escola devido aos seus dreadlocks violava seus direitos religiosos.

(com AFP)

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