‘Quero aumentar o custo do crime’, afirma Zema no VEJA Fórum Rumos do Brasil
Pré-candidato à presidência da República em 2026, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) diz que “aumentar o custo do crime” é uma das prioridades de seu projeto de governo federal. A entrevista foi realizada nesta segunda-feira, 15, durante o VEJA Fórum Rumos do Brasil, e conduzida pelo colunista Robson Bonin.
Segundo Zema, uma eventual gestão sua na segurança pública nacional seria inspirada pelo modelo de El Salvador, país caribenho que multiplicou gastos com repressão policial e construção de penitenciárias sob o governo do presidente Nahib Bukele. “Eu quero muito aumentar o custo do crime. Eu fui com meu secretário de segurança no ano passado a El Salvador para conhecer o programa mais bem-sucedido da história da humanidade em redução de homicidios”, disse o ex-governador.
O mineiro afirmou, ainda, que defende a nova postura adotada pelos Estados Unidos que classifica o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — o que, segundo ele, não fere a soberania nacional. Questionado se permitiria operações militares dos EUA no Brasil, Zema disse defender a cooperação internacional e que “será muito bem-vindo” algum agente especializado estrangeiro que se disponha a treinar as forças de segurança brasileiras.
Zema acrescentou que, em sua visão, a Polícia Militar hoje “pisa em ovos” por não ter liberdade para atuar no combate ao crime. “Se a PM aborda alguém que tenha características ‘x’, amanhã sofre um processo de ser ‘xisfóbico’. O policial hoje tem medo de atuar”, declarou.
Após criticar relação entre Flávio e Vorcaro, Zema reforça união da direita
Perguntado se haveria “contradição” entre sua postura de criticar Flávio Bolsonaro por envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e ao mesmo tempo sinalizar apoio à candidatura do senador ao Planalto, Zema negou. “Todos nós da direita estaremos juntos no segundo turno contra a esquerda. Mas não posso não ficar indignado [com Flávio e Vorcaro], como já expressei”, disse o ex-governador.
Zema acrescentou ainda, que nunca se reuniu com Vorcaro (a quem chamou de “o banqueiro bandido”), mesmo convivendo há oito anos em Belo Horizonte. Para o ex-governador mineiro, o escândalo do Master indica uma fraqueza do Estado brasileiro no combate à criminalidade. “O que o Banco Master fez demonstra a ineficiência dessas auditorias e fiscalizações [pelos órgãos econômicos], não teria ido aonde foi”, declarou.