Reino Unido anuncia maior orçamento militar desde a Guerra Fria
Após quase um ano de brigas, o governo do Reino Unido anunciou nesta terça-feira, 30, um novo orçamento militar de quase 300 bilhões de libras (mais de R$ 2 trilhões, na cotação atual), o maior plano de investimento em defesa do país desde a Guerra Fria.
A medida é provavelmente a última ação do primeiro-ministro Keir Starmer, que anunciou sua renúncia na semana passada. Ele deve deixar o posto até o fim de julho, após meses de pressão, vindo até de dentro do próprio partido. Segundo analistas, porém, a agenda de defesa demorou e pode ser insuficiente ante a velocidade geopolítica atual.
Após perder o apoio de seus deputados, o líder do Partido Trabalhista anunciou um aumento de 15 bilhões de libras (cerca de R$ 103 bilhões) nos próximos quatro anos, o primeiro passo da estratégia de investimento em defesa (DIP) para a próxima década.
No último dia 11 de junho, Starmer afirmou que faria “o necessário para garantir a segurança” do Reino Unido, após a renúncia de seu ministro da Defesa, John Healey, por estar em desacordo com o orçamento militar do governo (que ele considerou insuficiente). Sua saída repentina ocorreu após meses de atrasos na DIP e novos relatórios indicarem que os recursos destinados ficariam muito aquém do solicitado.
O que está no orçamento
O texto, que ainda pode ser revisado por futuros governos, prevê a preparação para um confronto com a Rússia. Na semana passada, foi anunciada a compra de 12 caças F-35A dos Estados Unidos, modelos com capacidade para transportar armas nucleares táticas, de menor potência.
O plano inclui mais de 5 bilhões de libras (R$ 35,4 bilhões) para drones e sistemas autônomos ao longo dos próximos quatro anos, informou o Ministério da Defesa em comunicado.
Os britânicos, donos do quinto maior orçamento militar do mundo, com cerca de R$ 94 bilhões gastos em 2025, discutem a ampliação nos investimentos em armamento desde a anexação da Crimeia pelos russos em 2014. A invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, bem como o retorno de Donald Trump à Casa Branca, que vem retirando o apoio dos Estados Unidos para a defesa europeia, renovaram a urgência para revisar os investimentos. Em julho de 2025, o Reino Unido publicou a Revisão Estratégica de Defesa.