Rival de Starmer vence eleição local e abre caminho para destronar premiê britânico
O político britânico Andy Burnham venceu nesta sexta-feira, 19, uma eleição suplementar crucial que lhe garante uma cadeira no Parlamento britânico e abre caminho para que desafie o primeiro-ministro Keir Starmer, sob pressão para renunciar há semanas, como líder do Partido Trabalhista. Caso seja bem-sucedido, o popular prefeito da Grande Manchester apelidado de Rei do Norte por ter conquistado três mandatos consecutivos, se tornará por tabela premiê do Reino Unido.
Burnham derrotou de maneira contundente o candidato do partido de extrema direita Reform UK, Robert Kenyon, no distrito de Makerfield, noroeste da Inglaterra. O trabalhista obteve quase 55% de apoio, com uma margem de cerca de 9 mil votos em relação ao rival. A participação na votação foi de 59%, a mais elevada em uma eleição parcial em sete anos.
Em seu discurso de vitória, ele reafirmou que planeja enfrentar Starmer pelo comando do partido — sua vitória era pré-requisito, uma vez que o processo exige que o desafiante seja membro do Parlamento. Se isso de fato ocorrer, como é provável, o Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em 10 anos.
“Eu falo ao meu próprio partido: esta é a última chance para mudar”, declarou Burnham. “Isto é o que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Devemos ouvi-las, devemos atuar em conformidade e devemos fazer isso da maneira correta. Não haverá uma segunda chance. Agora há, sim, uma oportunidade, a partir do resultado desta noite”, acrescentou.
Próximos passos
Starmer expressou “felicitações” a Burnham pela vitória. “Os eleitores votaram na campanha trabalhista em favor da esperança e do otimismo, em vez da divisão e do ódio”, escreveu ele no X (ex-Twitter).
Burnham, que foi deputado de 2001 a 2017 e passou pela chefia do Ministério da Saúde, integra a chamada ala de esquerda moderada do Partido Trabalhista e é um crítico aberto do governo mais centrista de Starmer.
Agora todas as atenções estão voltadas para quando ele dará o passo contra o primeiro-ministro: ele poderá reunir facilmente o apoio de 81 dos mais de 400 deputados da legenda, o mínimo necessário para iniciar uma disputa pelo comando do partido.
Na quarta-feira, Starmer disse que estava disposto a oferecer a Burnham um “papel importante” em seu governo, em uma tentativa de evitar o desafio, uma ideia que, segundo a imprensa, foi rejeitada pela equipe do então prefeito.
Starmer cai, Rei do Norte sobe
No cargo desde julho de 2024, o primeiro-ministro britânico se aferra ao poder desde que o Partido Trabalhista sofreu uma derrota esmagadora nas urnas locais na Inglaterra, Escócia e País de Gales no mês passado. Foi o ápice da crescente insatisfação com as diversas guinadas de 180 graus em suas políticas e um escândalo relacionado à nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, como embaixador em Washington.
Desde então, quase uma centena de deputados trabalhistas pediram sua renúncia e ao menos cinco ministros deixaram seus cargos.
Mas o ex-advogado, de 63 anos, se recusou a renunciar, insistindo que sua vitória eleitoral esmagadora sobre os conservadores em 2024 lhe concedeu um mandato de cinco anos para governar.
Em meio à crescente impaciência dentro do partido governante, o deputado trabalhista Josh Simons renunciou ao seu assento em Makerfield para que Burnham pudesse retornar ao Parlamento e concorrer à liderança da legenda. A votação de quinta-feira foi considerada um teste para ver se o prefeito da Grande Manchester seria capaz de derrotar o Reform UK, liderado pelo extremista Nigel Farage, abertamente anti-imigrantes e um dos principais arquitetos do Brexit.
A região é predominantemente branca e de classe trabalhadora, o que a torna um terreno fértil para a legenda de extrema direita, que ultrapassou o Partido Trabalhista nas pesquisas nacionais há mais de um ano. Mas além da popularidade de Burnham, a campanha de Kenyon, um encanador local, foi prejudicada por comentários ofensivos que ele fez nas redes sociais sobre as mulheres, ao passo que o pequeno partido de extrema direita Restore Britain tirou votos do Reform.