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Rússia espiona bases nucleares da Europa com drones lançados de navios, indica relatório

02 de Julho de 2026, 19:52 0 visualizações
Rússia espiona bases nucleares da Europa com drones lançados de navios, indica relatório

Uma campanha coordenada de espionagem atribuída ao Kremlin teria utilizado drones lançados a partir de embarcações da “frota fantasma” russa para monitorar instalações nucleares e militares em diversos países europeus ao longo de um ano e meio. A conclusão é de um novo relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), que analisou 144 incidentes registrados entre o fim de 2024 e o início de 2026.

Segundo os pesquisadores, os sobrevoos abrangeram mais de uma dezena de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), além da Irlanda, e revelaram falhas importantes na capacidade europeia de detectar e neutralizar drones de pequeno porte. Nenhuma das aeronaves foi abatida ou capturada durante as operações.

Entre os principais alvos estariam bases consideradas estratégicas para a dissuasão nuclear do Ocidente. Uma delas é a RAF Lakenheath, no leste da Inglaterra, onde os Estados Unidos voltaram a posicionar armas nucleares em 2025. Também aparece na lista a base naval francesa de Île Longue, na Bretanha, que abriga submarinos equipados com mísseis nucleares.

Navios da “frota fantasma”

O estudo sustenta que os drones provavelmente eram lançados de navios mercantes ligados à chamada frota fantasma, rede de embarcações usada pela Rússia para contornar sanções internacionais ao transporte de petróleo. Muitas dessas embarcações navegariam com os sistemas de rastreamento desligados, dificultando sua identificação.

Em alguns casos, os pesquisadores conseguiram estabelecer uma correlação entre a presença desses navios e os registros de drones. Um dos exemplos envolve os sobrevoos sobre bases aéreas britânicas em novembro de 2024, quando petroleiros e cargueiros suspeitos estavam posicionados no Mar do Norte.

Outro caso citado ocorreu na França, onde cinco drones foram detectados sobre a base de Île Longue em dezembro de 2025. Na ocasião, três embarcações associadas à frota fantasma navegavam entre 100 e 200 quilômetros da costa francesa.

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Segundo Charlie Edwards, pesquisador do IISS e um dos autores do levantamento, há fortes indícios de que a operação tenha sido coordenada pela inteligência militar russa (GRU).

“Nossa avaliação é de que é altamente provável que o Kremlin tenha conduzido uma campanha coordenada de drones sobre a Europa”, afirmou.

Bases nucleares

O relatório descreve uma série de episódios considerados especialmente sensíveis.

No Reino Unido, drones foram vistos sobrevoando diversas bases utilizadas pela Força Aérea dos Estados Unidos, incluindo RAF Lakenheath e RAF Fairford. Em uma das ocorrências, um helicóptero policial chegou a perseguir os equipamentos, mas interrompeu a operação por questões de segurança. O uso de um sistema a laser para neutralizar os drones chegou a ser discutido, mas acabou descartado.

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Na Bélgica e na Holanda, aeronaves não tripuladas também foram detectadas nas proximidades das bases de Kleine-Brogel e Volkel, que armazenam armas nucleares americanas.

Já na Dinamarca, uma sequência de avistamentos em setembro de 2025 levou ao fechamento temporário do aeroporto de Copenhague e de outros terminais do país. Na mesma época, quatro petroleiros da frota fantasma navegavam próximos ao litoral dinamarquês.

Dias depois, forças especiais francesas abordaram o navio Boracay, um dos suspeitos. A inspeção revelou que a embarcação era comandada por um capitão chinês e contava com dois cidadãos russos ligados ao grupo de segurança privado Moran Security Group, informação que, segundo o IISS, reforça a militarização desses navios.

Objetivos

Os pesquisadores avaliam que a campanha tinha múltiplos objetivos: monitorar instalações nucleares, mapear cadeias logísticas militares, testar as defesas da Otan e exercer pressão psicológica sobre governos europeus.

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O levantamento também sugere que as incursões diminuíram em 2026, após marinhas europeias intensificarem operações contra embarcações da frota fantasma.

Embora governos europeus tenham evitado responsabilizar oficialmente Moscou pelos episódios, o estudo afirma que diversas autoridades receberam positivamente a divulgação da investigação, que reúne indícios acumulados ao longo de meses.

Os autores acreditam que diferentes modelos de drones foram empregados nas missões, incluindo aeronaves de reconhecimento de longo alcance capazes de permanecer no ar por cerca de 12 horas e operar a centenas de quilômetros do ponto de lançamento, permitindo que fossem controladas a partir de embarcações em águas internacionais.

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