Seleção natural de aranhas é determinada pela resistência de suas teias às tempestades
Segundo pesquisa publicada em abril na revista Ecology and Evolution, tempestades determinam a sobrevivência de aranhas de acordo com a resistência de suas teias. As chuvas intensas atuam como um “filtro ecológico” desses aracnídeos, limitando a presença de certas espécies em cada ambiente.
O estudo foi coordenado por Antonio Domingos Brescovit, pesquisador do Instituto Butantan e coautor do artigo, assim como pela equatoriana Leticia Avilés, professora da Universidade de Columbia Britânica (UBC), no Canadá; e contou com o apoio do Conselho Nacional de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia do Canadá (NSERC) e da Fapesp.
Método
Com o intuito de entender o impacto das chuvas na sobrevivência das aranhas, os pesquisadores analisaram teias em cinco áreas diversas em uma floresta dos Andes, no Equador. Os locais se diferenciavam a partir de sua altitude e do regime de chuvas, o que possibilitou a obtenção de diferentes resultados. Em cada uma dessas áreas, foram amostradas entre 30 e 55 aranhas e registrados os efeitos das precipitações em cada teia.
Resultados
Os pesquisadores chegaram à conclusão que a resistência das teias – e, consequentemente a sobrevivência das aranhas – depende, principalmente, de dois fatores: o formato e a área em que ela foi construída.
O estudo observou as teias em três formatos mais comuns utilizados pelos aracnídeos: as orbiculares (planas e circulares), as emaranhadas e as emaranhadas que formam um lençol (ambas tridimensionais, densas e volumosas). A partir desse recorte, os cientistas analisaram a resistência às chuvas e a presença nos ambientes de cada uma.
As descobertas, no entanto, foram inesperadas. Os autores da pesquisa perceberam que as teias orbiculares, aquelas mais recorrentes e vulneráveis às chuvas, ocupavam as áreas com maior precipitação. Isso acontece pois sua construção não demanda muita seda e energia, o que permite a aranha reconstruí-la. As teias mais resistentes, por outro lado, são mais comuns em locais áridos, visto que sua destruição causaria um grande esforço para as aranhas, caso fosse destruída.
A partir desses resultados, os pesquisadores inferiram que os regimes de chuvas determinam a comunidade de aranha em cada local, o que transforma o ecossistema de maneira geral.