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Sete coisas que você nunca deve digitar no ChatGPT

24 de Julho de 2026, 09:35 7 visualizações
Sete coisas que você nunca deve digitar no ChatGPT

Regra universal para usar IA sem se arriscar: nunca diga para o ChatGPT nada que você não diria numa praça pública, com um megafone. Isso vale, claro, para todos os similares: Gemini, Claude, Grok, Deepseek e afins.

Parece radical, e a gente tende a achar que as conversas com as máquinas estão protegidas. Eu sei, o modo como o ambiente é configurado dá mesmo essa sensação.

Precisa parar de usar? Não. Eu convivo mais com IA que com pessoas no meu dia a dia, aliás. Mas vale levar em conta as dicas abaixo para se proteger.

1. Desabafo íntimo e sessão de terapia improvisada

O que um psicólogo ouve de você está protegido por sigilo profissional e por código de ética. O que o chatbot ouve fica num histórico que pode ser intimado. Fora o risco de receber conselhos que pioram sua situação, em vez de ajudar.

2. Exame, laudo e receita

Subir a foto do resultado do laboratório é tentador, porque a IA explica melhor do que muito médico apressado. Dá para ter o mesmo resultado apagando o cabeçalho ou outras áreas do PDF onde pode haver informações sensíveis.

3. Senha, token e código de acesso

A pessoa está no meio de um problema técnico e cola o bloco inteiro de configuração com a credencial no meio. Especialistas em segurança apontam esse hábito como uma das formas mais rápidas de perder controle de uma conta.

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4. Documento financeiro com identificação

Tudo bem usar IA para imposto de renda, mas sem fornecer ao chat o Informe de rendimentos com CPF visível, extrato com número de conta e agência, print de fatura com os dígitos do cartão, recibo com endereço completo. Em vez de subir o PDF do informe, digite os valores brutos. “Recebi 92 mil de salário no ano, 4 mil de rendimento de aplicação, tenho um dependente e paguei 8 mil de plano de saúde”

5. Segredo da empresa onde você trabalha

Código-fonte, contrato em negociação, planilha de custo, ata de reunião, plano de lançamento. Se sua empresa tem versão corporativa contratada, use-a, porque o contrato empresarial costuma prever que os dados não alimentam o treinamento do modelo. Se não tem, e você está colando material sigiloso na conta pessoal, saiba que isso hoje já é motivo de demissão em muita companhia.

6. Dados de outras pessoas

Você tem todo o direito de arriscar seus próprios dados, mas não os dos outros. E é exatamente o que acontece se um advogado sobe a petição com o nome das partes, por exemplo. Substitua nomes por letras e apague qualquer coisa que permita chegar na pessoa.

7. Confissão de coisa ilegal

“Isso que eu fiz dá problema?” costuma ser a pergunta que pode, no fim das contas, dar problema mesmo. Vale para o crime óbvio e para escolhas em que muita gente escorrega: o serviço que você contratou sem nota fiscal para pagar menos, o produto que entrou na mala sem passar pela declaração… Como diz uma famosa influenciadora chamada Regina Rouca: se liga, hein!

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Aliás, já que mandei se ligar, deixo aqui dicas bônus.

Como usar IA sem se expor (demais)

Quatro ajustes que resolvem a maior parte do problema em menos de cinco minutos.

  • Desligue o treinamento. Em Configurações, Controles de dados, desative a opção que permite usar suas conversas para melhorar o modelo.
  • Use o chat temporário para qualquer assunto sensível. Ele funciona como aba anônima do navegador e não entra no histórico nem na memória.
  • Limpe a memória de vez em quando. O ChatGPT guarda informações suas entre conversas e vale abrir a lista para ver o que ele acumulou sobre você, porque costuma ser mais do que se imagina.
  • Adote a regra do e-mail para o chefe. Antes de apertar enter, pergunte se você mandaria aquele mesmo conteúdo num e-mail para o seu chefe com cópia para o jurídico.

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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda

 

 

 

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