"Só acelerar e esmagar": homem é condenado por matar motociclista
A Justiça condenou Silvio Luiz Dessordi, 43 anos, por atropelar propositalmente e matar Pedro Eneas de Almeida Siqueira, de 56 anos, após uma briga de trânsito em Itanhaém, litoral de São Paulo. Silvio jogou o carro em cima da vítima, causando ferimentos graves que levaram à sua morte, naquele mesmo dia.
O caso ocorreu em 2023 e foi gravado por câmeras de segurança da prefeitura da cidade e das casas do local. As imagens mostram o momento em que Silvio colide o carro deliberadamente com a lateral da motocicleta de Pedro. Em seguida, o condenado foge do local, deixando a vítima ferida no local que, posteriormente, faleceu em sua casa.
Cerca de três meses após o ocorrido, Silvio tentou vender o carro usado no atropelamento. Em postagem nas redes sociais, a legenda dava descrições do carro e fazia ligação com o crime cometido: “Blindagem nível A3, só acelerar e esmagar o elemento”.
Pessoas que estavam na rua no momento em que o condenado atropela Pedro também confirmam que a atitude foi proposital. Uma das testemunhas oculares também afirmou que a vítima estava muito assustada e alegou que o motorista tentou matá-lo propositalmente.
O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da Comarca de Itanhaem, no dia 6 de agosto deste ano. Silvio foi condenado a 10 anos e 6 meses de cadeia, por homicídio doloso.
Entenda o caso
Silvio Dessordi e Pedro Siqueira tiveram uma discussão de trânsito no dia 8 de fevereiro de 2023. Segundo o condenado, Siqueira teria, supostamente, quebrado o retrovisor de seu carro, um Hyundai Santa Fé preto blindado. Após a briga, Dessordi resolve perseguir o motociclista em alta velocidade. Ao se aproximar, colidiu o carro contra a lateral da moto da vítima, propositalmente. Pedro caiu no chão e ficou ferido, mas recusou atendimento médico, alegando que estava cansado e queria ir para casa. Silvio fugiu do local sem prestar socorro.
Já em sua casa, Pedro começa a sentir fortes dores nas costas e tomou um analgésico. Por volta das 21h20, os sintomas pioraram e o homem perdeu o controla da fala e dos movimentos. O SAMU foi acionado por seu pai, que morava com ele, porém, quando as equipes chegaram, Pedro já estava morto.
O laudo do IML concluiu que a morte foi causada por anemia aguda decorrente de hemorragia interna traumática. Em razão do impacto do atropelamento, a vítima teve seu baço rompido e fraturas na caixa toráxica.
O inquérito diz que Silvio alegou que não teve intenção de matar. Segundo ele, Pedro teria simulado estar com uma arma, fazendo Silvio abaixar a cabeça e acelerar por medo, ouvindo apenas um “barulho” sem perceber a colisão. Além disso, a defesa alega que a culpa seria exclusiva da vítima, que não procurou socorro médico imediato e disse ao pai que apenas “havia caído”.
O Metrópoles tentou contato com o advogado de Siqueira, mas não conseguiu localizá-lo. O espaço segue aberto.



