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Sobrinho de Marcola recebeu R$ 50 mil da empresa de ônibus Transunião

26 de Junho de 2026, 19:28 1 visualizações

A investigação que levou à prisão da influenciadora Deolane Bezerra, por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), também apontou que um sobrinho de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, recebeu R$ 50 mil da empresa de ônibus Transunião.

A concessionária, que opera 50 linhas de ônibus na zona leste de São Paulo, foi alvo de uma operação do Ministério Público (MPSP) e da Polícia Civil do estado nessa quinta-feira (25/6), por suspeita de lavar dinheiro da maior facção criminosa do país.

Os promotores suspeitam que familiares de Marcola sejam os verdadeiros donos de ônibus da Transunião. Os investigadores tiveram acesso a planilhas que indicavam que diversos ônibus estavam em nomes de laranjas, classificados como “cooperados”. Enquanto isso, havia menção aos verdadeiros donos, que eram classificados como “cooperados oficiais”. Eram eles, afirmam os promotores, quem tinham o direito de explorar economicamente a operação dos veículos.

Na denúncia da Operação Vérnix, o MPSP menciona que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, o sobrinho de Marcola, recebeu o repasse diretamente da concessionária.

“Entre as operações identificadas, R$ 50.000,00 foram oriundos da empresa de transporte coletivo Transunião Transportes S/A, que tem como responsável Lourival de França Monario, o qual figura em inquéritos policiais que investigam crime de lavagem de dinheiro”, afirma o documento.

Leonardo também aparece em mensagens trocadas por Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro Herbas Camacho, irmão de Marcola, como destinatário de valores determinados pelo pai. Nas conversas, ele é citado pelo codinome “L”.

Um dos principais elos entre Marcola e a empresa de ônibus, segundo o MPSP, é Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como um operador financeiro de familiares do líder do PCC.

A investigação sobre a Transunião apontou que Everton tinha conexões com o presidente da empresa, Lourival de França Monário, alvo de mandado de prisão.

“Claro que a gente vai ter que trabalhar em cima do que foi apreendido hoje. Mas os indícios indicam que a família Camacho poderia ter algum tipo de participação em ônibus”, afirmou o promotor Lincoln Gakiya nessa quinta-feira (25/6). “Normalmente, é esse o modus operandi: criminosos da liderança do PCC, através de familiares ou terceiros, recebem uma verba de fora e essas verbas são oriundas de ônibus que eles adquiriram dessas cooperativas”, acrescentou.

“O Everton era o player da família Camacho, do Marcola e do Alejandro, que fazia, em liberade, toda a parte financeira e de pagamentos. Na Operação Vérnix, que nós deflagramos no mês passado, ele era responsável por arrecadar o dinheiro que vinha da transportadora e teria indicado contas da influenciadora Deolane, a conta dos filhos do Alejandro, o Leonardo e a Barbara. E o Leonardo também teria recebido pagamento da Transunião”, disse Gakiya.

Segundo o promotor, o modelo criminoso implementado na empresa é semelhante aos adotados nas concessionárias de ônibus Transwolf e UpBus. Ambas foram alvo da Operação Fim da Linha, em abril de 2024, também acusadas de lavar dinheiro para a maior facção do país.

Vereador preso

Entre os presos na Operação Última Parada, que mirou a Transunião, está o vereador Senival Moura (PT), apontado como um dos principais beneficiários do esquema na empresa de ônibus.

Em seu sexto mandato na Câmara Municipal, o parlamentar ocupava os cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Transporte, colegiado responsável por discutir e fiscalizar políticas relacionadas ao setor de transportes na capital paulista.

O ponto de partida para as investigações foi a morte de Adauto Soares Jorge, executado a tiros em uma padaria no bairro Lajeado, na zona leste, em março de 2020. Dois anos depois, as investigações já apontavam que ele atuava como um laranja de Senival na Transunião.

Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, foi apontado como autor dos disparos. O Ministério Público acredita que o crime foi motivado por “quebra de confiança” financeira. Integrantes da facção teriam descoberto que Adauto estaria desviando valores da Transunião para subsidiar um “caixa dois” para a campanha de reeleição de Senival Moura, em 2020, em detrimento dos repasses que deveriam ser feitos ao PCC.

Diante disso, o operador Leonel Martins teria sido escalado para resolver a questão por meio do tribunal do crime, que resultou na ordem de execução.

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