Supremo dos EUA dá duas importantes vitórias a Trump e seu projeto de deportações em massa
A Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu nesta quinta-feira, 26, duas importantes vitórias ao governo do presidente Donald Trump em sua agenda de deportações em massa. Por uma maioria de 6 votos a 3, o tribunal autorizou a retirada do status humanitário de milhares de imigrantes haitianos e sírios, e abriu caminho para a retomada de uma política que limita o acesso ao asilo na fronteira com o México.
No primeiro caso, a corte permitiu que o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) encerre o chamado Status de Proteção Temporária (TPS) para cerca de 350 mil haitianos e 6 mil sírios. Criado pelo Congresso em 1990, o programa concedia status legal temporário a pessoas cujos países de origem fossem considerados inseguros devido a guerras, desastres naturais ou outras crises.
Críticos da decisão argumentaram que declarações feitas por Trump durante a campanha presidencial de 2024 evidenciariam preconceito contra haitianos. Na ocasião, o republicano divulgou alegações falsas de que imigrantes do país caribenho estariam sequestrando e comendo animais domésticos.
Fronteira sul trancada
Em outra decisão a favor do governo Trump nesta quinta, a Suprema Corte anulou a decisão de um tribunal inferior e confirmou a autoridade do governo para rejeitar solicitantes de asilo quando as autoridades consideram que as passagens de fronteira entre os Estados Unidos e o México estão sobrecarregadas demais para atender novas solicitações.
A administração Trump defendeu a política como uma ferramenta necessária para lidar com grandes fluxos migratórios e manter o controle da fronteira sul.
Mão amiga
Não é a primeira vez que a Suprema Corte, hoje controlada por uma maioria de juízes conservadores (três deles indicados pelo próprio Trump) respalda medidas da do governo republicano na área migratória. No ano passado, o tribunal já havia autorizado o governo a revogar proteções temporárias concedidas a mais de 300 mil venezuelanos que viviam nos Estados Unidos, enquanto o processo seguia tramitando nas instâncias inferiores.
O tribunal também autorizou o governo do presidente americano a deportar imigrantes para países diferentes dos seus de origem, incluindo destinos em conflito, como o Sudão do Sul.