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Surto de ebola supera mil casos no Congo

22 de Junho de 2026, 05:57 0 visualizações

Pessoas reagem enquanto funcionários da Cruz Vermelha caminham em formação desinfetando o hospital geral de Rwampara antes de manusearem o corpo de uma pessoa que morreu de Ebola, em meio aos esforços das agências humanitárias para conter um novo surto da cepa Bundibugyo, em Rwampara, nos arredores de Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo, em maio Reuters A República Democrática do Congo confirmou o registro de 1.003 casos de ebola no país, incluindo 254 mortos, na noite de domingo (21). Na sexta-feira (19), uma bebê de 6 meses foi enterrada após morrer de ebola no leste do país. No mesmo dia, outras mortes causadas pela doença forma confirmadas em um campo para deslocados. Desde o início de maio, houve um aumento de mortes considerado incomum por autoridades locais e organizações humanitárias que administram o acampamento para refugiados. Algumas das vítimas tiveram diagnóstico confirmado para ebola, alimentando preocupações de que o vírus possa estar circulando sem ser detectado em uma das regiões mais afetadas pelo atual surto. Localizado em Bunia, epicentro do surto de ebola na República Democrática do Congo, o campo de deslocados de Kigonze abriga mais de 15 mil pessoas que fugiram de conflitos armados. Segundo a administração local, o local costumava registrar entre uma e três mortes por mês. Apenas nesta semana, porém, dez moradores foram enterrados. Entenda o Ebola em 7 pontos A real dimensão do surto ainda é incerta. Até recentemente, moradores e familiares das vítimas resistiam à realização de testes em pacientes e corpos, segundo organizações humanitárias que atuam na região. Embora nem todas as mortes tenham sido oficialmente atribuídas ao ebola, representantes do campo, líderes comunitários e trabalhadores humanitários afirmam que muitas vítimas apresentavam sintomas compatíveis com a doença, como febre, dor de cabeça e vômitos. O porta-voz de Kigonze, Désiré Grodya Bapi, afirmou que profissionais de saúde conseguiram coletar amostras de cinco vítimas e que parte dos exames testou positivo para ebola. Fontes envolvidas na resposta ao surto também confirmaram que alguns dos mortos registrados nos últimos dias tiveram diagnóstico da doença. O atual surto foi declarado oficialmente pelas autoridades congolesas em 15 de maio, embora os primeiros óbitos associados ao vírus tenham ocorrido antes dessa data. Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, se reúne com autoridades de saúde no Centro Médico Evangélico, uma das instalações na linha de frente da resposta ao surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Gradel Muyisa Mumbere/Reuters Saneamento precário agrava risco Organizações humanitárias alertam que as condições sanitárias de Kigonze podem favorecer a disseminação do ebola e de outras doenças infecciosas. No campo, famílias numerosas vivem em barracas improvisadas separadas por menos de um metro. Moradores relatam que os banheiros são insuficientes para atender a população e frequentemente transbordam. A situação preocupa porque o ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, vômito e fezes. O cenário é agravado pela redução de recursos destinados a água, saneamento e higiene. Dados das Nações Unidas mostram que o financiamento para essas áreas na República Democrática do Congo caiu de forma significativa entre 2024 e 2025, passando para cerca de US$ 38 milhões — pouco mais da metade do valor registrado no ano anterior. Trabalhadores da Cruz Vermelha se preparam para enterrar Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, no Cemitério de Bigo, em Bunia, Congo, sexta-feira, 19 de junho de 2026. AP/Moses Sawasawa Neste ano, apenas 21% dos US$ 80 milhões solicitados por agências humanitárias para ações do setor foram efetivamente financiados. Segundo quatro organizações que atuam na região, programas voltados ao abastecimento de água, construção de banheiros e outras medidas de saneamento para populações deslocadas foram reduzidos ou suspensos após cortes em financiamentos internacionais. A província de Ituri, onde fica Bunia, concentra mais de 90% dos cerca de 900 casos confirmados do atual surto de ebola no país. Mortes associadas à doença também foram registradas em outros campos de deslocados da região. Autoridades de saúde tentam ampliar a testagem e o rastreamento de contatos para conter a transmissão do vírus, mas enfrentam obstáculos que vão da resistência de parte da população à precariedade da infraestrutura em uma região marcada por deslocamentos em massa e anos de conflito armado.
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