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Tarifaço de Trump em Santa Catarina é problema novo para Flávio Bolsonaro

20 de Agosto de 2026, 08:00 1 visualizações
Tarifaço de Trump em Santa Catarina é problema novo para Flávio Bolsonaro

Vai custar caro para Santa Catarina o tarifaço imposto por Donald Trump às exportações brasileiras. Há décadas, o Estado mantém mais da metade de suas vendas direcionadas aos Estados Unidos. São produtos fabricados sob encomenda, máquinas, equipamentos e artefatos de madeira para construção civil.

Empresários informaram ao governo federal que nove em cada dez dólares de receita obtida nas vendas ao mercado americano devem ser afetados pelas sobretaxas.

A federação das indústrias (Fiesc) estima que mais da metade (54%) do comércio com os EUA passou a conviver com o nível mais alto de tarifas (37,5%).

Na primeira etapa da ofensiva de Trump contra o Brasil e outros 59 países, no ano passado, Santa Catarina perdeu 7,6 mil empregos nas linhas de produção industrial.

O impacto do novo tarifaço, desde o mês passado, tende a ser mais drástico. Se nada mudar nas tarifas, há risco de o Estado perder entre 20 mil e 25 mil empregos nos próximos 18 meses, calcula a Fiesc.

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Uma das consequências previstas é a estagnação econômica em regiões do Estado com menor nível de diversificação produtiva.

Esse impacto tende a ser significativo, e deve estimular uma nova onda de migração interna, especialmente para cidades litorâneas, como foi observado em crises anteriores.

Gráfico de linhas mostrando a preocupação com o impacto das tarifas de Trump. A linha azul Sim sobe de 55% em junho para 63% em julho, caindo para 61% em agosto. A linha vermelha Não desce de 37% para 31%, subindo para 33%. A linha cinza NS/NR permanece estável em 8% e 6%
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Esse quadro tem reflexos na campanha presidencial, numa etapa em que dois terços dos eleitores se dizem preocupados com efeitos prejudiciais do tarifaço de Trump na vida pessoal ou familiar.

Prevalece a crítica na avaliação da resposta do governo Lula, acompanhada pela recomendação majoritária de que, em vez de confrontar, o governo deve tentar negociar com os EUA.

Gráfico de linhas mostrando a avaliação da resposta do governo brasileiro ao tarifaço por região. O Nordeste avalia melhor, com 51% Bem em agosto de 2026, enquanto o Centro-Oeste/Norte tem 52% Mal no mesmo período. As linhas indicam tendências de Bem (azul), Mal (vermelho), NS/NR (cinza) e Nem bem, nem mal (amarelo) de outubro de 2025 a agosto de 2026
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Gráfico de linhas mostrando a sugestão dos eleitores ao governo sobre taxações dos EUA. A maioria, entre 63% e 70%, sugere Tentar negociar, enquanto 22% a 28% preferem Responder na mesma medida, com dados de agosto de 2025 e 2026, divididos por faixas de renda
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Significa, também, um problema novo para o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à presidência. Por apoiar publicamente o tarifaço de Trump, ele ficou, literalmente, na contramão dos interesses coletivos num colégio eleitoral com 5,7 milhões de votos.

Reduto do conservadorismo, Santa Catarina deu a Jair Bolsonaro sete em cada dez votos válidos nas eleições de 2018 e 2022.

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O clã Bolsonaro mantinha a expectativa de se tornar hegemônico no Estado, com votações recordes para três filhos de Jair — candidatos a presidente, senador e deputado federal.

Os efeitos da crise prenunciada pelo tarifaço embaralharam o jogo da família na disputa pelos votos catarinenses.

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