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Telescópio revela imagem histórica de ‘redemoinhos’ na superfície do Sol

05 de Agosto de 2026, 16:48 4 visualizações
Telescópio revela imagem histórica de ‘redemoinhos’ na superfície do Sol

Na superfície do Sol, pequenos padrões de redemoinhos, muito parecidos com vórtices, marcam um fenômeno chamado de instabilidade de Kelvin-Helmholtz (KHI). Esses eventos, segundo cientistas, podem ser os principais causadores do extremo calor que acomete a atmosfera exterior da estrela, e da acumulação de energia magnética que se move ao redor do astro. É a partir desse acúmulo que erupções e explosões solares enviam grandes quantidades de energia para a Terra, e afetam satélites, redes elétricas inteiras e outros tipos de tecnologia.

O estudo, publicado nesta quinta-feira, 5, na revista Nature, usou o telescópio mais poderoso do mundo, o Telescópio Solar Daniel K. Inouye do Observatório Nacional do Sol (NSO) para observar o mecanismo KHI, que pode ser o grande causador das explosões solares, eventos frequentes na superfície e atmosfera do Sol. A partir do telescópio, os pesquisadores conseguiram gerar a primeira imagem em alta resolução do fenômeno Kelvin-Helmholtz.

Textura abstrata em tons de laranja e amarelo, com áreas mais claras e escuras que se assemelham a chamas ou plasma em movimento, criando um efeito de calor intenso e turbulência
Redemoinhos mostram como o fenômeno é o causador das explosões solaresNSO/Reprodução

A equipe inclui o NSO, a Fundação Nacional Nacional de Ciência Americana (NSF), o Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas (NCAR), o Observatório de Grande Altitude (HAO) e o Instituto Max Planck para Pesquisas de Sistemas Solares (MPS), todas organizações norte americanas. 

O Telescópio Daniel K. Inouye fica na ilha de Maui, no Havaí. Foi a partir de sua alta capacidade de observação que os astrônomos conseguiram visualizar a imagem mais bem feita até o momento da superfície solar, fotografia que capturou as movimentações e dimensões do fenômeno Kelvin-Helmholtz. 

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Antes, o KHI era uma teoria difícil de se comprovar com certeza, por causa da dificuldade de observar com qualidade a superfície do Sol. Para David Boboltz, diretor do NSO e autor da pesquisa, a descoberta é “um grande passo para a compreensão das dinâmicas e evolução do Sol, e servirá como base para muitas outras descobertas futuras”.

Como ocorre a instabilidade

Da forma mais simples possível, a instabilidade acontece quando dois fluídos “deslizam” um ao lado do outro, o que cria um certo corte que se torna, com o passar do tempo e das movimentações, vórtices que se assemelham às ondas do oceano. Esse tipo de instabilidade é reconhecida na Terra, em situações como as ondas do mar e a formação de nuvens, assim como nos gigantes planetas atmosféricos, como Júpiter e Saturno. O fenômeno foi pensado pela primeira vez por Wiliam Thomson, conhecido por Lorde Kevin, e Hermann von Helmholtz por volta de 1870. 

Superfície solar com granulação em tons de laranja e marrom, mostrando células de convecção. Um círculo na parte inferior esquerda destaca uma área ampliada no canto superior direito, revelando detalhes das estruturas e uma barra de escala de 100 km
<span class="hidden">–</span>NSO/Reprodução
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Os vórtices formados pela instabilidade são grandes fontes de energia magnética, e são responsáveis, de acordo com o estudo, pelas explosões solares, das mais simples até as mais proeminentes. São essas explosões que conseguem perturbar grande parte da infraestrutura tecnológica do planeta, como satélites, comunicações, GPS, e redes elétricas. 

O processo do Sol acumular energia magnética se chama “flux braiding”, e é quando os campos de energia se “embaralham” uns aos outros, e criam um campo de tensão. Quando liberado rapidamente, os campos “estouram” e se conectam de novas formas, o que gera um grande impulso de energia, ou seja, as explosões. O fenômeno KHI, de acordo com o novo estudo, pode ser o principal causador desse processo. 

As análises

O time de pesquisadores comparou a imagem gerada pelo Telescópio Inouye com simulações de computador da atmosfera solar. A partir das observações, eles identificaram que, assim como nas simulações, as imagens reais da superfície solar também mostravam diversas estruturas similares a vórtices, com dinâmicas e características muito parecidas. Nos dois casos, a distância mínima entre as áreas permanecia a mesma, entre 50 e 65 quilômetros. O processo solar de “efervescência” da superfície cria a condição perfeita para que estruturas magnéticas criem áreas próximas que se movem a velocidades diferentes, o que ativam o fenômeno Kelvin-Helmholtz. 

De acordo com Thomas Rimmele, chefe de Tecnologia do NSO, o fenômeno funciona como um mecanismo que “contribui para o aquecimento da atmosfera externa e é parte da solução para o antigo enigma da razão real para a temperatura de milhões de graus Kelvin da camada mais externa das estrelas”. 

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