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Terremotos deixam hospitais da Venezuela superlotados, danificados e com escassez, diz OMS

30 de Junho de 2026, 13:46 0 visualizações
Terremotos deixam hospitais da Venezuela superlotados, danificados e com escassez, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira, 30, que o sistema de saúde da Venezuela enfrenta um colapso crescente seis dias após os terremotos que deixaram pelo menos 1.700 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos no país sul-americano. Segundo o órgão das Nações Unidas, hospitais danificados, escassez de profissionais e superlotação das unidades em funcionamento dificultam o atendimento às vítimas.

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, revelou que uma avaliação realizada em 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón mostrou que ao menos três hospitais estão em estado crítico, seis sofreram danos estruturais ou funcionam com capacidade reduzida, enquanto os demais permanecem em funcionamento, mas com enorme sobrecarga.

“Os serviços de saúde estão sob extrema pressão agora”, disse Lindmeier. “Entre as principais deficiências estão o colapso dos serviços de medicina legal e dos necrotérios, além da insuficiência dos sistemas de registro de vítimas e de acompanhamento de pessoas desaparecidas”, acrescentou.

Segundo Lindmeier, os levantamentos preliminares apontam para um cenário de atendimento caótico, marcado por fluxo desorganizado de pacientes, superlotação, aumento da fila de cirurgias e equipes de saúde trabalhando sob intenso desgaste.

Em La Guaira, estado mais afetado pelos terremotos, vários profissionais da área da saúde continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis “por todo o caminho de cuidados maternos na área”, o que criou uma lacuna crítica nos cuidados obstétricos, ainda segundo a OMS.

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Já a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou que “a escassez de alimentos é generalizada” em La Guaira, onde os serviços básicos entraram em colapso e a comunicação permanece amplamente interrompida. 

“Há pânico… as pessoas querem ter acesso à ajuda o mais rápido possível”, disse a porta-voz Carlotta Wolf.

Destruição

Dois terremotos consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, respectivamente, atingiram a Venezuela com um intervalo de apenas 39 segundos na noite da última quarta-feira 24, provocando o desabamento milhares de edifícios em Caracas e muitas outras cidades.

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Uma avaliação preliminar de dados de satélite publicada pela Nasa (agência espacial dos Estados Unidos) indicou que mais de 58 mil edifícios podem ter sido danificados ou destruídos pelos terremotos que abalaram o norte da Venezuela.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou na segunda-feira que ao menos 855 infraestruturas apresentaram danos, das quais 189 sofreram “desabamento total”.

A ONU calcula cerca de 7 milhões de desabrigados e prejuízos materiais de US$ 6,7 bilhões (R$ 34,6 bilhões), valor equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.

Na semana passada, o Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros — um homem e uma mulher — na tragédia que assolou o país vizinho.

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