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Trump abandona acordo de livre comércio com México e Canadá

01 de Julho de 2026, 18:26 0 visualizações
Trump abandona acordo de livre comércio com México e Canadá
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O governo de Donald Trump decidiu abandonar a renovação automática do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) e substituí-la por negociações anuais, ampliando a pressão sobre os dois principais parceiros comerciais dos americanos.

A mudança, anunciada nesta quarta-feira (1º) pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, sinaliza que Washington pretende transformar o tratado em um instrumento de barganha permanente para obter novas concessões dos vizinhos.

Embora o USMCA permaneça em vigor, a decisão reduz a previsibilidade para empresas que estruturaram cadeias produtivas integradas na América do Norte e pode levar companhias a adiar investimentos enquanto aguardam definições sobre tarifas, regras de origem e acesso aos mercados.

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Mudança de estratégia

O USMCA entrou em vigor em 2020 para substituir o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), após uma renegociação conduzida pelo próprio Trump durante seu primeiro mandato.

Na época, o presidente classificou o acordo como “o melhor e mais importante tratado comercial já firmado pelos Estados Unidos”.

Seis anos depois, a Casa Branca adota um discurso diferente.

Em vez de renovar automaticamente o tratado por mais 16 anos, como previa o mecanismo de revisão iniciado nesta quarta-feira, o governo pretende discutir anualmente mudanças no acordo.

Na prática, isso significa que empresas poderão conviver com negociações recorrentes sobre temas considerados estratégicos, como tarifas, regras para cadeias de suprimentos e exigências de conteúdo regional em setores como automóveis, agricultura e energia.

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Economia integrada

A decisão afeta um dos maiores blocos comerciais do mundo.

Juntas, as economias de Estados Unidos, México e Canadá respondem por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Em 2024, o comércio entre os três países superou US$ 1,6 trilhão, acima dos cerca de US$ 1 trilhão registrados em 2020, refletindo o aprofundamento da integração econômica após a entrada em vigor do USMCA.

Essa integração fez com que diversos produtos passassem a ser fabricados em etapas distribuídas entre os três países.

Um automóvel montado nos Estados Unidos, por exemplo, pode utilizar motores produzidos no México e componentes eletrônicos fabricados no Canadá.

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Segundo analistas, justamente por essa integração, a previsibilidade das regras comerciais tornou-se um dos principais fatores para decisões de investimento na região.

Pressão sobre México e Canadá

A revisão anual reforça uma característica recorrente da política comercial de Trump: utilizar a ameaça de novas tarifas ou mudanças nas regras como instrumento de negociação.

Durante o segundo mandato, o presidente passou a afirmar que o USMCA restringe sua capacidade de impor tarifas e não foi suficiente para reduzir os déficits comerciais dos Estados Unidos com México e Canadá.

Ao mesmo tempo, Washington manteve negociações formais com o governo mexicano, mas adotou uma postura mais dura em relação ao Canadá.

Trump tem criticado o primeiro-ministro Mark Carney por buscar ampliar relações comerciais com outros parceiros e reduzir a dependência do mercado americano.

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No início deste ano, o presidente chegou a ameaçar impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso Ottawa aprofundasse sua aproximação econômica com a China.

China amplia influência nas negociações

Embora o tratado envolva apenas Estados Unidos, México e Canadá, a China tornou-se um dos principais temas das negociações.

A expansão das montadoras chinesas e o aumento dos investimentos do país na América do Norte elevaram as preocupações de Washington sobre o chamado transshipment, prática pela qual componentes chineses chegam aos Estados Unidos por meio de terceiros países para contornar restrições comerciais.

Por isso, o governo americano pretende endurecer as regras de origem dos veículos e ampliar as exigências de conteúdo produzido na América do Norte.

A Casa Branca também pressiona México e Canadá a adotar uma postura mais alinhada às preocupações americanas sobre investimentos chineses considerados estratégicos para a segurança nacional.

Essa estratégia mostra que a rivalidade entre Estados Unidos e China passou a influenciar não apenas a relação bilateral entre as duas maiores economias do mundo, mas também os acordos comerciais firmados por Washington com seus principais aliados.

Empresas temem perda de previsibilidade

Representantes do setor privado receberam a decisão com preocupação.

Entidades como a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (US Chamber of Commerce) e a Business Roundtable defendem a manutenção do tratado e alertam que mudanças frequentes podem desestimular investimentos.

O receio é que empresas deixem de anunciar novos projetos enquanto aguardam definições sobre o futuro das regras comerciais.

Em maio, associações que representam a maior parte da indústria automobilística americana pediram ao governo que preservasse o acordo.

No mês seguinte, mais de 70 representantes do setor privado estiveram no Capitólio para defender uma revisão rápida e previsível do tratado.

O que acontece agora

Apesar da mudança de postura da Casa Branca, o USMCA continua em vigor.

Pelas regras do acordo, Estados Unidos, México e Canadá terão até 2036 para negociar um entendimento durante as revisões periódicas. Caso não haja consenso até essa data, o tratado poderá expirar.

Na prática, porém, a decisão anunciada por Trump inaugura um novo período de negociações contínuas.

Mais do que discutir aspectos técnicos do acordo, Washington sinaliza que pretende utilizar o acesso ao mercado americano como instrumento permanente de pressão sobre seus vizinhos e como parte da estratégia mais ampla de competição econômica com a China.

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