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Trump anuncia que Estreito de Ormuz será totalmente reaberto nesta sexta-feira

16 de Junho de 2026, 15:13 0 visualizações
Trump anuncia que Estreito de Ormuz será totalmente reaberto nesta sexta-feira

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 16, que o Estreito de Ormuz será “totalmente reaberto” a partir de sexta-feira, 19, data da cerimônia oficial de assinatura do acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.

No final de semana, os dois países anunciaram ter chegado a um memorando de entendimento para colocar fim ao conflito que travam há mais de quinze semanas e, embora Trump tenha dito que o pacto já foi assinado, autoridades firmarão presencialmente o texto em uma cerimônia em Genebra, na Suíça, nesta sexta.

O texto do acordo ainda não foi oficialmente divulgado, portanto ainda não se sabia a partir de quando ocorreria a reabertura do Estreito de Ormuz, principal ponto do tratado. Nesta terça, o presidente americano garantiu a jornalistas na cúpula do G7, na França, que a nevrálgica rota marítima será total e imediatamente desimpedida no dia 19, além de insistir que o acerto prevê “claramente que o Irã não terá armas nucleares”.

Autoridades da Casa Branca, porém, apresentaram estimativas mais cautelosas. Segundo um alto funcionário ouvido pela imprensa americana, o fluxo de navios deve voltar aos níveis anteriores à guerra “ao longo das próximas duas semanas”, embora já tenha ocorrido um “aumento substancial” da circulação.

O ocupante do Salão Oval acrescentou que as tratativas ao longo dos 60 dias posteriores ao acordo, sobre o futuro do programa nuclear iraniano, serão concluídas “bem rápido”. “O Irã quer resolver isso. Eles precisam retomar os negócios, e o relacionamento agora está normalizado, então acho que vai acontecer bem rápido”, disse ele durante encontro com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, às margens do encontro do G7 em Evian.

Trump revelou também que divulgará o texto ao mundo “em alguns dias” e que o submeterá ao Congresso americano.

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Soluços

O acordo, porém, já começou cercado de versões conflitantes. Na segunda-feira 15, Trump afirmou que todos os navios poderão cruzar a principal rota petrolífera do mundo sem pagar pedágio. Horas antes, porém, o governo iraniano havia declarado que pretende cobrar taxas relacionadas a serviços prestados às embarcações que utilizarem a via.

Durante participação na cúpula do G7, o líder americano reafirmou que a travessia ocorrerá sem qualquer tipo de pedágio. “Tivemos uma pequena discussão sobre isso. É toll-free“, disse o republicano, usando a expressão em inglês para indicar passagem livre de tarifas.

Segundo Trump, navios já estão transitando por corredores estabelecidos na região e a reabertura completa da hidrovia depende apenas da remoção das minas instaladas pelo Irã durante o conflito recente. “Há uma caça às minas em andamento”, afirmou. “Até sexta-feira, estará completamente aberto.”

A declaração, porém, contrasta com a posição apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano.

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Em entrevista à agência semioficial Tasnim, o porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã não pretende impor pedágios pelo simples trânsito das embarcações, mas que haverá cobrança por serviços oferecidos aos navios que cruzarem a região.

“Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar pedágios de trânsito”, declarou Baghaei. “Mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, completou o diplomata iraniano. 

Segundo Baghaei, os serviços seriam prestados conjuntamente pelo Irã e por Omã, país que divide com Teerã a soberania sobre o estreito. O porta-voz acrescentou que o governo iraniano mantém uma “profunda desconfiança” em relação aos Estados Unidos, apesar do entendimento alcançado.

A agência iraniana Fars afirmou que a cláusula sobre taxas marítimas foi incluída nos momentos finais das negociações. Segundo uma fonte não identificada citada pela publicação, o texto do memorando foi alterado para destacar explicitamente a soberania iraniano-omanense sobre Ormuz.

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Acordo ainda é preliminar

O documento, além disso, marca apenas o início de um processo de negociação mais amplo.

Pelos próximos 60 dias, Washington e Teerã tentarão transformar o entendimento em um acordo definitivo, com discussões que incluem o programa nuclear iraniano. As negociações técnicas começam ainda nesta semana, sob coordenação de Vance, irá representar os Estados Unidos na cerimônia formal em Genebra. Trump disse que não pretende comparecer ao evento.

Outra frente de incerteza envolve os benefícios econômicos prometidos ao Irã. Segundo autoridades americanas, nenhuma parcela dos ativos iranianos congelados foi liberada até o momento.

Washington admite discutir eventual alívio de sanções e até a criação de um fundo de reconstrução de até 300 bilhões de dólares para o país devastado pelo conflito, mas insiste que qualquer liberação dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por Teerã.

Trump também buscou diferenciar o entendimento atual do acordo nuclear firmado durante o governo Barack Obama, abandonado por ele em 2018. “É um documento muito poderoso, não como o documento de Obama, que era terrível”, afirmou.

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