Trump diz que críticos do acordo com Irã são ‘invejosos, pessoas más ou estúpidos’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira, 18, que os “tolos” que criticam seu acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio por não ser “suficientemente duro com o Irã” são “invejosos, pessoas más ou estúpidos”. A declaração veio horas depois dele assinar, junto ao seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, o memorando de intenções para cessar hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz.
As concessões americanas a Teerã tornaram-se alvo de pareceres menos positivos que os pintados por Trump. Entre elas estão:
- Alívio imediato para o petróleo iraniano, com isenções que permitem a exportação de todos os seus derivados e cobrem serviços associados, incluindo transações bancárias, seguro e transporte;
- Liberação de ativos congelados e fim das sanções: receitas petrolíferas do Irã retidas em bancos no exterior serão desbloqueadas e todos os tipos de sanções (primárias e secundárias, bem como resoluções do Conselho de Segurança da ONU), em cronograma a combinar nos próximos 60 dias de negociações;
- Plano de reconstrução: haverá a criação de um fundo privado de pelo menos US$ 300 bilhões voltado a reerguer o país devastado e incentivar o desenvolvimento econômico do Irã;
- Fim do bloqueio naval e retirada de tropas: os Estados Unidos vão encerrar completamente seu cerco aos portos iranianos e retirar soldados do Oriente Médio em até 30 dias.
Nesta quinta, em postagem na rede Truth Social, no caminho de volta da cúpula do G7 na França, Trump descreveu seus críticos como “tolos” por acharem que ele não foi “suficientemente duro com o Irã”. O presidente americano exaltou o mercado de ações, que atingiu um “RECORDE HISTÓRICO” e disse que os preços globais do petróleo estavam “despencando”.
Alívio dos mercados
De acordo com o rastreador da AAA, o preço médio nacional da gasolina caiu para US$ 3,99 por galão nesta quinta, abaixo da marca de US$ 4 pela primeira vez em quase três meses. Enquanto isso, o preço do barril de Brent, referência internacional, caiu para US$ 77,8 nesta quinta, ante cerca de US$ 94 no início deste mês. O valor ainda permanece ligeiramente acima do nível pré-guerra (cerca de US$ 70 por barril).
Apesar das aparentes boas notícias, desde que Trump anunciou que havia chegado a um acordo com o Irã no último domingo, ele virou alvo de críticas de todos os lados: democratas anti-guerra, gente anti-Irã e até conservadores que apoiaram a Casa Branca ao longo do conflito.
Críticas
Inicialmente, as críticas se concentraram na falta de detalhes sobre o acordo e, posteriormente, miraram os próprios termos do arranjo. O senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, afirmou que a guerra ao Irã foi “o pior erro de política externa em décadas”. O comentarista conservador Ben Shapiro, que havia apoiado a incursão militar contra Teerã, por sua vez, descreveu o acordo como um “desastre”. Já o ex-conselheiro de Trump, Steve Bannon, um dos faróis da extrema direita global, destilou críticas ao fundo de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução do Irã: “Não podemos dar todo esse dinheiro para esses caras”, disparou.
Enquanto isso, a opinião geral dos democratas pode ser resumida em um tuíte do senador Chris Murphy, de Connecticut: “O que aconteceu aqui é simples. Vocês perderam uma guerra que nunca deveriam ter começado e se renderam nos termos do Irã. Os oponentes da guerra podem se alegrar com o fim da guerra e também apontar que este acordo insano é a prova definitiva de que toda a guerra — que vocês aplaudiram — foi uma calamidade total.”