“Por mim, ele [Trump] pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é problema dele, afinal gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles, não meu. Única coisa que quero é respeito pelo Brasil como o que tenho pelos Estados Unidos, só isso”, respondeu ele durante entrevista coletiva, ao ser questionado sobre a fala de Trump.
Pouco antes, o presidente dos Estados Unidos disse que o Brasil é um país “um pouco perigoso politicamente” e se confundiu sobre a condenação de Eduardo Bolsonaro, dizendo que o “Bolsonaro Jr.” havia sido preso. Na terça, 16, o ex-deputado federal foi condenado pelo STF a quatro anos de prisão por tentar interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele não foi preso, no entanto.
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“Passei bastante tempo com ele [Lula], na verdade. É um país um pouco complicado, politicamente”, falou Trump. “Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e soube que prenderam o Bolsonaro Jr. (sic). Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prender. Eles estão tramando algo”.
Antes, Lula já havia dito que achou um “desaforo” e um “rompante” as decisões dos Estados Unidos de impor novas taxas aos produtos brasileiros e classificar as facções PCC e CV como grupos terroristas. O presidente explicou que não pediu um encontro bilateral com Trump durante a reunião do G7 porque os dois países ainda estão em negociação sobre esses temas, mas que não teria problema em pedir uma nova reunião ao norte-americano caso o diálogo não avance.
“Acho que o que ele [Trump] fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. Por isso disse que ele ainda está agindo como imperador”, disse Lula. “Fico na expectativa de que vamos negociar, apesar do rompante deles com relação ao Brasil.”
Em discurso durante a cúpula, um dia antes, Lula já havia criticado abertamente “o protecionismo e o unilateralismo” e defendido o respeito à soberania de países na luta contra o crime transnacional. A fala foi feita praticamente frente a frente com Donald Trump, que estava sentado no lado oposto da mesa.
O discurso faz referência direta às ameaças de Washington de impor um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros e à decisão de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cita “políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico”, o Pix, além de “tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal”. O prazo para que sejam tomadas medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.
Antes da entrada em vigor do novo tarifaço proposto, o cronograma do governo americano prevê audiências e consultas públicas. Até 22 de junho de 2026: os interessados devem enviar seus pedidos de comparecimento à audiência, juntamente com um resumo do depoimento; 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas; 6 de julho de 2026: O USTR realizará uma audiência sobre a ação proposta; 15 de julho de 2026: Prazo final para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.