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Trump diz que Ormuz será livre de pedágio; Irã afirma que acordo prevê taxas

15 de Junho de 2026, 21:07 0 visualizações
Trump diz que Ormuz será livre de pedágio; Irã afirma que acordo prevê taxas

O acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz já começou cercado de versões conflitantes. Nesta segunda-feira, 15, o presidente Donald Trump afirmou que todos os navios poderão cruzar a principal rota petrolífera do mundo sem pagar pedágio. Horas antes, porém, o governo iraniano havia declarado que pretende cobrar taxas relacionadas a serviços prestados às embarcações que utilizarem a via.

Além da disputa sobre os termos do entendimento, autoridades americanas apresentaram cronogramas distintos para a normalização do tráfego marítimo. O memorando, assinado eletronicamente no domingo, deve ser formalizado na sexta-feira, 19, em Genebra.

Durante participação na cúpula do G7, após encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, Donald Trump afirmou que a travessia ocorrerá sem qualquer tipo de pedágio. “Tivemos uma pequena discussão sobre isso. É toll-free“, disse o republicano, usando a expressão em inglês para indicar passagem livre de tarifas.

Segundo Trump, navios já estão transitando por corredores estabelecidos na região e a reabertura completa da hidrovia depende apenas da remoção das minas instaladas pelo Irã durante o conflito recente. “Há uma caça às minas em andamento”, afirmou. “Até sexta-feira, estará completamente aberto.”

A declaração, porém, contrasta com a posição apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano.

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Em entrevista à agência semioficial Tasnim, o porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã não pretende impor pedágios pelo simples trânsito das embarcações, mas que haverá cobrança por serviços oferecidos aos navios que cruzarem a região.

“Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar pedágios de trânsito”, declarou Baghaei. “Mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, completou o diplomata iraniano. 

Segundo Baghaei, os serviços seriam prestados conjuntamente pelo Irã e por Omã, país que divide com Teerã a soberania sobre o estreito. O porta-voz acrescentou que o governo iraniano mantém uma “profunda desconfiança” em relação aos Estados Unidos, apesar do entendimento alcançado.

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A agência iraniana Fars afirmou que a cláusula sobre taxas marítimas foi incluída nos momentos finais das negociações. Segundo uma fonte não identificada citada pela publicação, o texto do memorando foi alterado para destacar explicitamente a soberania iraniano-omanense sobre Ormuz.

Acordo ainda é preliminar

Segundo autoridades americanas, Trump, o vice-presidente J. D. Vance e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, assinaram eletronicamente o memorando no domingo. O documento, porém, marca apenas o início de um processo de negociação mais amplo.

Pelos próximos 60 dias, Washington e Teerã tentarão transformar o entendimento em um acordo definitivo, com discussões que incluem o programa nuclear iraniano. As negociações técnicas começam ainda nesta semana, sob coordenação de Vance, irá epresentar os Estados Unidos na cerimônia formal em Genebra. Trump disse que não pretende comparecer ao evento.

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Cronograma contraditório

Nem mesmo dentro do governo americano há consenso sobre quando o tráfego será totalmente normalizado.

Enquanto Trump afirmou que Ormuz estará completamente aberto até sexta-feira, autoridades da Casa Branca apresentaram estimativas mais cautelosas.

Segundo um alto funcionário ouvido pela imprensa americana, o fluxo de navios deve voltar aos níveis anteriores à guerra “ao longo das próximas duas semanas”, embora já tenha ocorrido um “aumento substancial” da circulação.

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Outra frente de incerteza envolve os benefícios econômicos prometidos ao Irã. Segundo autoridades americanas, nenhuma parcela dos ativos iranianos congelados foi liberada até o momento.

Washington admite discutir eventual alívio de sanções e até a criação de um fundo de reconstrução de até 300 bilhões de dólares para o país devastado pelo conflito, mas insiste que qualquer liberação dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por Teerã.

Trump também buscou diferenciar o entendimento atual do acordo nuclear firmado durante o governo Barack Obama, abandonado por ele em 2018. “É um documento muito poderoso, não como o documento de Obama, que era terrível”, afirmou.

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