Trump publica imagem que mostra Ormuz como ‘novo território dos EUA’; Irã rebate
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta terça-feira, 18, uma imagem de um mapa que mostra o Estreito de Ormuz como “novo território dos EUA”.
A publicação segue falas do republicano, na semana passada, de que iria declarar “em breve” a passagem marítima, vital para o comércio de petróleo, como parte dos Estados Unidos – embora não tenha dado detalhes ou prazos.
O presidente americano também usou as redes sociais, nesta terça, para reforçar que “não há negociações ou conversas em andamento, nem programadas” com o Irã. Segundo ele, “o Estreito de Ormuz está aberto e em operação”.
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Em resposta, o vice-chanceler do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou Trump como “iludido” e disse que, “em breve, sua ilusão a respeito do Estreito de Ormuz será corrigida”.
Segundo o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf. a passagem permanecerá fechada até que os EUA cumpram as condições do acordo provisório assinado em junho. Essas condições incluem a suspensão, pelos EUA, do bloqueio aos portos iranianos e das sanções ao petróleo, a liberação dos ativos congelados de Teerã e o fim de ameaças e operações militares em todas as frentes.
Na segunda-feira, um funcionário do regime disse à agência de notícias Reuters que o país também decidiu mudar sua postura de defensiva para “totalmente ofensiva”. A autoridade declarou que Teerã “intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar”, além de estabelecer um prazo para que as forças americanas interrompam o bloqueio militar imposto aos portos iranianos.
“Pressionar-nos ou depender de mediadores para alcançar uma paz duradoura não é realista. O Irã estabeleceu um prazo de algumas semanas para a implementação completa do memorando de entendimento pelos EUA. O cronograma estabelecido pelo Irã será comunicado ao governo americano e aos países da região por meio de mediadores”, disse o funcionário.
O Estreito de Ormuz — passagem por onde transitava, antes da guerra, 20% do petróleo e gás consumidos no planeta — está efetivamente bloqueado desde os bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel que deram início ao conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, elevando os preços de combustíveis globalmente. Navios não autorizados por Teerã têm sofrido ataques intermitentes nessas águas.
Fim do cessar-fogo
As falas de Trump seguem o fim, na segunda-feira, do memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã, que estabeleceu um prazo ambicioso de 60 dias para encerrar a guerra, em meio a um aumento das tensões entre os países.
O pacto, assinado em junho no Palácio de Versalhes, previa a suspensão de todas as operações militares para abrir espaço para negociações sobre um acordo definitivo, com possibilidade de extensão caso houvesse concordância entre Washington e Teerã. O documento também estabelecia a reabertura do Estreito de Ormuz, atribuindo ao Irã um papel definido na facilitação da navegação pela estratégica rota marítima.
Na prática, o acordo rapidamente se desfez, com o presidente americano afirmando que estava “acabado” em 7 de julho e o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarando que estava “suspenso” uma semana depois. Washington acusa Teerã de não cumprir o compromisso de reabrir plenamente o Estreito de Ormuz, enquanto as autoridades iranianas alegam que os Estados Unidos não cumpriram suas obrigações, principalmente em relação ao bloqueio de portos e à liberação de ativos iranianos.
Dois meses após a assinatura do documento, os impasses entre os países persistiram. Sem sinais de qualquer avanço em relação ao Estreito de Ormuz ou à questão nuclear do Irã, os dois lados estão mais distantes de um acordo do que estavam na época.