Ucrânia contra-ataca: como o país quebra as linhas de defesa da Rússia
A ofensiva de drones lançada pela Ucrânia contra Moscou na quinta-feira 18 revelou mais uma vez um problema que preocupa o Kremlin: a dificuldade de impedir que aeronaves não tripuladas atinjam o coração do país. Especialistas afirmam que Kiev vem explorando falhas estruturais da defesa aérea russa para ampliar o alcance de seus ataques.
Estratégia combina volume de drones, múltiplas rotas e ataques a sistemas de radar para pressionar Moscou longe da linha de frente.
Imagens que circularam nas redes sociais após o ataque mostraram cenas incomuns para a capital russa. Em uma delas, militares aparecem disparando mísseis portáteis em uma rodovia movimentada. Em outra, um míssil da própria defesa aérea aparentemente erra o alvo e atinge um tanque de combustível nos arredores da cidade.
Para analistas ouvidos pela CNN, os episódios ajudam a explicar por que a Ucrânia tem conseguido levar a guerra para dentro do território russo. Desde 2024, Kiev ampliou os ataques contra refinarias, depósitos de combustível e instalações militares, atingindo não apenas regiões próximas à fronteira, mas também cidades como Moscou e São Petersburgo.
Uma das razões está na própria configuração das defesas russas. No início da invasão, a maior parte dos sistemas antiaéreos estava concentrada na linha de frente e nas áreas fronteiriças. Com a expansão dos ataques ucranianos, Moscou precisou espalhar seus equipamentos por uma área muito mais ampla, reduzindo a capacidade de proteção concentrada em pontos específicos.
A Ucrânia também passou os últimos anos mirando radares e lançadores antiaéreos russos. Segundo dados divulgados pelas Forças Armadas ucranianas, mais de 1.400 componentes de defesa aérea foram destruídos desde o início da guerra em larga escala, em 2022.
Especialistas destacam ainda que muitos sistemas russos foram projetados para enfrentar aviões de combate e mísseis balísticos, não enxames de drones voando em baixa altitude e chegando de diferentes direções ao mesmo tempo. Mesmo quando a maioria dos aparelhos é interceptada, basta que alguns consigam atravessar a barreira defensiva para causar danos ou obrigar as autoridades a mobilizar recursos adicionais.
As sanções ocidentais também pesam nesse cenário. Segundo analistas, elas dificultam o acesso da Rússia a componentes eletrônicos e tecnologias necessárias para modernizar seus sistemas de defesa aérea diante da rápida evolução dos drones empregados pela Ucrânia.
O resultado é uma equação desconfortável para o Kremlin. Quanto mais frequentes se tornam os ataques de longo alcance, maior é a necessidade de distribuir equipamentos pelo território russo. E quanto mais dispersa fica essa rede de proteção, maiores são as brechas que Kiev tenta explorar.