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Um bom ataque da França? Mbappé, Dembélé, Olise e Benjamin Franklin

04 de Julho de 2026, 03:59 0 visualizações
Um bom ataque da França? Mbappé, Dembélé, Olise e Benjamin Franklin

É história que não pode ser esquecida. A partida entre França e Paraguai, no estádio de Filadélfia, será disputada em um 4 de julho – na comemoração dos 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, a data da criação de uma nação. O documento, formalmente intitulado como “A Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América”, foi assinado em 1776, durante o Segundo Congresso Continental, reunido na Pennsylvania State House, posteriormente renomeada como Independence Hall. De todos os pais fundadores, os autores e signatários da carta, o chamado “Comitê dos Cinco”, composto de John Adams, Thomas Jefferson, Robert Livingston, Roger Sherman e Benjamin Franklin, nenhum foi tão charmoso e tão interessante quanto Ben, o apelido que lá mesmo no Século XVIII, usavam para chamá-lo.

Era uma figuraça, e nada como beber de um trecho da biografia escrita por Walter Isaacson, esgotada no Brasil e sumida até dos sebos, para entender um pouco do personagem de íntima ligação com a França de Mbappé, Dembelé e Olise, é o que veremos um pouco mais ao pé deste texto.

De Isaacson, biógrafo de mão cheia: “Benjamin Franklin é o pai fundador que dá uma piscadela para nós. Os colegas de George Washington achavam difícil se imaginar tocando o austero general no ombro; hoje, nós acharíamos isso ainda mais difícil. Jefferson e Adams são igualmente intimidantes. Mas Ben Franklin, aquele empresário urbano ambicioso, parece feito de carne em vez de mármore, possível de ser chamado pelo apelido; e, no palco da história, ele se vira para nós com olhos que cintilam por trás daqueles óculos modernosos. Ele nos fala, por meio de suas cartas, brincadeiras e autobiografia, não com retórica bombástica, mas com uma tagarelice e uma ironia inteligente que são muito contemporâneas, às vezes de forma inquietante. Vemos seu reflexo em nosso próprio tempo.

Durante seus 84 anos de vida, ele foi o melhor cientista, inventor, diplomata, escritor e estrategista de negócios da América do Norte; foi também um dos pensadores políticos mais práticos, embora não o mais profundo. E, com o voo de uma pipa, ele provou que o raio era eletricidade, e inventou uma vara domá-lo. Inventou óculos bifocais e estufas de queima limpa, elaborou cartas marítimas da corrente do Golfo e teorias sobre a natureza contagiosa da gripe comum. Lançou vários planos de melhorias cívicas, tais como uma biblioteca circulante, faculdade, corpo de bombeiros voluntários, associação de seguros e fundos de contrapartida. Ajudou a inventar o estilo peculiar americano de humor caseiro e pragmatismo filosófico. Na política externa, criou uma abordagem que entrelaçava o idealismo com o realismo do equilíbrio de poder. E, na política, propôs planos influentes para unir as colônias e criar um modelo federal para um governo nacional. Mas a coisa mais interessante que Franklin inventou, e reinventou incessantemente, foi ele mesmo. Primeiro grande publicista americano, ele tentou, em sua vida e em seus escritos, criar de maneira consciente um novo arquétipo americano.   No processo, ele criou a própria persona, retratou-a em público e a poliu para a posteridade.”

Mas, afinal de contas, por que Franklin, para além de tudo o que representou, precisa ser lembrado com a seleção francesa dentro de campo? Porque sem a França não haveria Franklin, e sem a França muito provavelmente os Estados Unidos não ficariam em pé. Ele foi o primeiro embaixador americano em Paris, já em 1776. Iluminista, pensador refinado, democrata sem concessões, foi considerado pelos revolucionários franceses de 1779 como herói. Foi Franklin quem convenceu a diplomacia francesa, mesmo antes da Queda da Bastilha, a apostar no país que nascera do outro lado do oceano, na luta contra os britânicos.

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Logo depois da independência, Franklin foi escolhido, por uma comissão do Congresso agindo em grande segredo, para embarcar na mais perigosa, complexa e fascinante de todas as suas missões de serviço público. Ele deveria atravessar o Atlântico para atuar como enviado a Paris, com o objetivo de persuadir a França, que então desfrutava uma paz rara com a Grã-Bretanha, a ajudar e fazer uma aliança sem a qual era improvável que a América pudesse vencer.

Em Paris, ficou amigo de Voltaire. Para os franceses, eram como almas gêmeas. Ambos eram encarnações idosas da inteligência e da razão do Iluminismo, pensadores brincalhões, mas aguçados. Por isso, era inevitável não somente que os dois sábios se encontrassem, como também que seus encontros, ainda mais do que aquele entre Franklin e o rei em pessoa, empolgassem a imaginação pública.

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O filósofo francês Voltaire:  “Ben”, um americano em Paris, logo fez amizade com o filósofoG. Dagli Orti/De Agostini/Getty Images
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Não dá, portanto, para deixar de costurar Franklin com a França – e que belo ataque ele comporia com Mbappé, Olise e Dembelé. Ter a França em Filadélfia em um 4 de julho é costurar o passado e o presente, em uma Copa de jogos espetaculares. Franklin gostaria de poder estar nas arquibancadas torcendo parta sua turminha – ou, quem sabe, dentro de campo, em Filadélfia.

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