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Um novo primeiro-ministro mais à esquerda é solução para Reino Unido?

22 de Junho de 2026, 09:33 0 visualizações
Um novo primeiro-ministro mais à esquerda é solução para Reino Unido?

Um novo primeiro-ministro sem eleição nem nada? Não é golpe. É assim que funciona no parlamentarismo britânico. Aconteceu com Margaret Thatcher quando os conservadores estavam no poder e agora com o impopular e apagado Keir Starmer. Suas posições relativamente moderadas, além do estilo carisma zero, estavam arrastando para baixo o Partido Trabalhista e despontou um substituto, Andy Burnham, um tanto mais à esquerda, que entusiasmou os deputados do partido.

Em poucos dias, foi consumado o “golpe” do próprios colegas. Starmer levou punhaladas pelas costas – e pela frente também – até ser obrigado a renunciar. Hoje anunciou, com lágrimas nos olhos, que deixará o governo. A transição só será realizada em setembro, período suficiente para novas humilhações.

Andy Burnham chega ao poder empurrado pelos defeitos de Starmer e pelas qualidades que demonstrou quando foi prefeito da Grande Manchester, a região metropolitana do norte da Inglaterra. Em vários sentidos, ele é um anti-Thatcher. Tem uma fórmula que governos de esquerda, tendo desistido do socialismo e outras maluquices, pregam em todo mundo: gastar mais para aumentar benefícios sociais, sem se importar com a racionalidade fiscal, e até reestatizar empresas privatizadas, principalmente provedoras de água e eletricidade. De onde sai o dinheiro, visto que ele se comprometeu a não aumentar impostos da pessoa física, nem de empresas, nem sobre a circulação de mercadorias?

Ah, depois a gente vê. E sempre tem a garfada sobre investimentos financeiros, a galinha dos ovos de ouro que todos os governos de esquerda cobiçam. Outros arroubos, como congelamento de aluguéis, provavelmente pertencem ao terreno da expressão de desejos.

Burnham tem a seu favor a popularidade conquistada em Manchester, principalmente no campo do transporte coletivo, onde implantou uma rede de ônibus com tarifa congelada em duas libras.

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DEVER MORAL

Se, contra todas as expectativas, mostrar um bom trabalho, terá condições de reverter a mais importante convulsão política que está acontecendo no Reino Unido, com a ascensão do partido Reforma, de Nigel Farage, um populista de direita que era considerado uma figura marginal e folclórica, mesmo tendo sido o pioneiro do Brexit (Burnham já disse, mas recuou, que idealmente gostaria de um projeto de dez anos para colocar o reino de novo na União Europeia).

A ascensão de Farage tem dizimado a direita tradicional, a do Partido Conservador, o mais antigo partido do mundo. Apesar da eloquência e da firmeza da líder conservadora, Kemi Badenoch, os tories, como são chamados, estão em queda catastrófica.

Se houvesse eleições hoje, o Reforma teria 28% dos votos; os trabalhistas, 19%; os conservadores, 18%; e os liberais democratas, 14%. Só seria viável formar um governo de direita se os tories se aliassem ao Reforma, coisa que Kemi Badenoch diz que nunca, jamais irá acontecer.

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Andy Burnham não vai convocar eleições para ter um mandato das urnas. É da regra do jogo parlamentarista, embora muitos considerem um dever moral receber o endosso popular. Não abrirá mão de jeito nenhum da atual maioria de 403 deputados, num total de 650. O suficiente para testar suas propostas de esquerda, recebidas pelo lado oposto como um desastre que vai agravar o crescimento pálido da economia, deixar intocado ou piorar mais ainda o deficiente sistema de saúde, espantar investidores e sufocar a iniciativa de empreendedores, já assustados com a carga fiscal. No ano passado, 16,5 mil cidadãos com renda de mais de um milhão de dólares deixaram o país, tocados por impostos insuportáveis. Com a maioria que tem no Legislativo, Burnham pode fazer muito – para o bem ou, mais provavelmente, para o mal. Será ele um inovador ou um ideológico sem visão?

Em vez de melhorar, Andy Burnham pode piorar as coisas. A maior de todas as surpresas será se alguma de suas iniciativas der certo – e líderes de esquerda em muitos outros países estarão de olho para ver se ele funciona como um argumento a favor de suas teses.

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