Vídeo mostra criança ferida em acidente de rope jump antes de tragédia
A criança que ficou ferida após realizar um salto de rope jump com a mesma equipe envolvida na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, aparece caída no chão ao fundo de um vídeo gravado na Ponte do Esqueleto, na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.
A gravação foi feita por Luis Gustavo de Oliveira, um dos instrutores do grupo Entre Cordas, três meses antes da tragédia. Ele também realizava um salto no momento em que o menor estava no local. Ao Metrópoles, Luis contou que só percebeu que a criança estava no chão depois de ouvir gritos.
O pai do menino prestou depoimento à Polícia Civil no âmbito da investigação sobre a participação de Evelyne dos Santos Gonçalves, considerada a CEO da equipe, e de outros dois presos em 20 de junho, na morte de Maria Eduarda.
Segundo o relato, a criança estava acompanhada do genitor, que atuava como freelancer nas atividades. De acordo com ele, após encerrarem o atendimento ao público, os integrantes do grupo estariam realizando saltos para gravação de mídias, quando o menino, apesar de já ter saltado outras vezes naquele dia, insistiu para realizar mais um.
O homem afirmou ter conferido o equipamento do filho, incluindo a colocação das cordas, e permanecido próximo à área de lançamento. Mas, depois, antes da completa estabilização do menino, que fazia movimentos pendulares, um integrante o liberou da corda.
Por conta disso, a criança chegou a raspar no chão, sofrendo escoriações no joelho. Ainda conforme o depoimento do pai, não houve impacto grave na cabeça, embora o menino tenha se queixado de batida leve.
Depois do ocorrido com o filho, o homem teria decidido cessar a participação nas atividades da equipe. À polícia, ele alegou que não recebeu qualquer orientação para ocultar os fatos ou apagar registros e declarou ter optado voluntariamente por não divulgar o ocorrido.
A Polícia Civil indiciou, nessa quarta-feira (1º/7), Evelyne dos Santos Gonçalves por homicídio qualificado e fraude processual. Ela estava presa desde 20 de junho, sete dias após a morte de Maria Eduarda, lançada sem cordas durante um salto realizado com a equipe. Os dois outros presos na data, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, não foram indiciados e tiveram as prisões revogadas.
Outros três integrantes da Entre Cordas, Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Vitor de Freitas Gonçalves, foram presos em flagrante logo após a tragédia. Mais tarde, o trio teve a prisão convertida pela Justiça em preventiva. Eles foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar morte.