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A Europa está aquecendo mais rápido que o resto do planeta. Entenda por quê

25 de Junho de 2026, 11:04 0 visualizações
A Europa está aquecendo mais rápido que o resto do planeta. Entenda por quê

A onda de calor que atinge a Europa desde 18 de junho ganhou uma intensidade que cientistas atribuem diretamente ao avanço da mudança climática.

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Uma análise preliminar do ClimaMeter, grupo de pesquisadores ligado ao Instituto Pierre-Simon Laplace, na França, indica que o aquecimento provocado pela emissão de gases de efeito estufa elevou as temperaturas do episódio entre 2°C e 4°C acima do que seria esperado sob condições semelhantes na segunda metade do século 20.

O fenômeno levou países como França, Espanha, Itália e Reino Unido a registrarem temperaturas superiores a 40°C.

Na França, 58 departamentos entraram em alerta máximo por causa do calor, enquanto cidades italianas adotaram medidas de emergência.

No Reino Unido, o Met Office, serviço meteorológico britânico, emitiu pela segunda vez um alerta vermelho para temperaturas capazes de representar risco mesmo para pessoas saudáveis.

Padrão atmosférico conhecido, mas com efeitos mais extremos

A configuração meteorológica responsável pelo calor não é inédita. Os cientistas explicam que uma área de alta pressão, conhecida como “bloqueio ômega”, ficou estacionada sobre parte da Europa ocidental, impedindo a circulação normal do ar.

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O sistema trouxe massas de ar quente vindas do sudeste e reduziu a formação de nuvens, permitindo maior incidência de radiação solar sobre a superfície. O resultado foi uma elevação acentuada das temperaturas.

A diferença, segundo pesquisadores, está na intensidade alcançada pelo fenômeno. Um padrão atmosférico que no passado poderia produzir calor elevado agora ocorre em um planeta já aquecido, aumentando os extremos.

Europa aquece mais rápido que outras regiões

Embora os efeitos mais graves do aquecimento sejam frequentemente associados a regiões tropicais e países com menor capacidade de adaptação, a Europa está entre as áreas que mais aquecem no planeta.

Segundo dados citados pela revista The Economist, a temperatura média do continente sobe cerca de 0,56°C por década, aproximadamente o dobro da média mundial.

Uma das razões está no chamado efeito de amplificação polar. À medida que o gelo diminui nas regiões frias, perde-se uma superfície que reflete parte da luz solar, aumentando a absorção de calor. A posição geográfica da Europa, com grande parte do território em latitudes elevadas, também contribui para esse processo.

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Outro fator citado por especialistas é a redução da poluição do ar no continente. Com menos partículas na atmosfera bloqueando a passagem da luz solar, mais energia chega à superfície.

Grupo de jovens descendo escadas ao ar livre, com a torre do Big Ben e o rio Tâmisa ao fundo. Uma jovem no centro usa um leque vermelho para se refrescar. Todos vestem roupas casuais e mochilas, em um dia ensolarado
Sob o calor pedestres caminham diante do Big Ben, em Londres, durante período de temperaturas elevadas que atingiu o Reino Unido nesta quarta-feira (24)getty/Getty Images

Mortes por calor já atingem dezenas de milhares

O aumento das ondas de calor tem impacto direto sobre a saúde pública. Durante a onda de calor de 2003, mais de 70 mil mortes associadas ao calor foram registradas em 16 países europeus.

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Em 2022, considerado até então o verão mais quente da história europeia, estimativas apontaram mais de 60 mil mortes relacionadas às altas temperaturas em 35 países. Em 2023, mesmo com temperaturas menos extremas, o número ficou próximo de 50 mil.

Um estudo liderado por Elisa Gallo, do Instituto de Saúde Global de Barcelona, publicado em 2024, estimou que, sem medidas de adaptação adotadas pelos países europeus, o número de mortes em 2023 poderia ter chegado a cerca de 90 mil.

Infraestrutura sofre pressão com calor extremo

O calor também pressiona serviços públicos. Escolas foram fechadas em algumas regiões, trens tiveram operações afetadas e redes elétricas enfrentaram aumento da demanda devido ao uso de sistemas de refrigeração.

Para Friederike Otto, cientista climática do Imperial College London, o principal impacto da mudança climática não está necessariamente na criação de novos padrões meteorológicos, mas na capacidade desses padrões produzirem eventos mais extremos.

“Os eventos de calor estão se tornando mais frequentes, mais intensos e mais longos”, afirmou Will Lang, do Met Office.

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Especialistas avaliam que a adaptação, como planos de emergência, melhoria da infraestrutura urbana, áreas verdes e sistemas de alerta, tem reduzido parte dos impactos, mas não acompanha o ritmo de agravamento dos eventos extremos.

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