Acordo com Irã já foi assinado e documento deve ser divulgado na sexta, segundo Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 14, que um acordo com o Irã para o fim da guerra no Oriente Médio “já está todo assinado”.
Segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, o documento foi assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pelo vice-presidente americano, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento do Irã, Mohammed Bagher Qalibaf.
Ainda não é claro se a assinatura foi feita de forma virtual ou via interlocutores. A cerimônia de assinatura presencial, marcada para a sexta-feira, em Genebra, na Suíça, segue de pé, embora as partes não tenham divulgado quem serão seus representantes no evento.
Segundo Trump, o acordo deve ser divulgado depois da assinatura formal, na sexta-feira.
“Este é um documento muito importante e quero que seja divulgado. Provavelmente em breve. Diria que depois de sexta-feira”, disse ele.
Falando pouco depois de chegar a Evian, na França, para uma reunião do G7, o republicano também declarou que o Estreito de Ormuz estará totalmente aberto até sexta.
O primeiro petroleiro comercial atravessou com sucesso o Estreito de Ormuz nesta segunda-feira, um dia após o anúncio do acordo de paz preliminar Washington e Teerã.
“Os navios estão começando a se movimentar, muitos carregados de petróleo, para fora do Estreito de Ormuz. Eles estão seguindo pela ‘Rodovia’ do Sul, que é totalmente segura e preservada. Existem outras rotas de navegação também!!!”, escreveu o presidente americano em sua rede, a Truth Social.
O Irã, que controla na prática a maior parte do trânsito por Ormuz, ainda não confirmou a informação.
Confusão nos termos
Os detalhes do tratado não foram divulgados imediatamente, mas sua implementação não deve começar até a assinatura, que, segundo o Paquistão, ocorrerá na sexta-feira, 19, na Suíça. A notícia sobre a reabertura total do Estreito de Ormuz, porém, já trouxe alívio para os mercados globais, ansiosos pela volta à normalidade da rota por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta.
Mas o memorando de entendimento sobre a guerra já enfrenta obstáculos. As contínuas hostilidades de Israel com o Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo regime dos aiatolás, quase inviabilizaram as negociações, uma vez que o Irã condicionou o memorando de entendimento provisório à suspensão dos bombardeios ao Líbano, algo respaldado pelos mediadores paquistaneses. Nesta segunda, 15, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comunicou sua recusa em deixar o sul libanês.
Também há ruído sobre a reabertura de Ormuz. No domingo 14, Trump disse em entrevista ao jornal The New York Times que o acordo assinado entre Estados Unidos e Irã prevê que não haverá cobrança de pedágio no estreito, falando em uma isenção permanente de qualquer pagamento, como o Irã já havia sugerido durante o conflito. No entanto, Teerã afirmou nesta segunda que passará a cobrar uma “taxa por serviço” de navios que cruzarem o estreito.
Além disso, o acordo entre os Estados Unidos e o Irã concede apenas 60 dias para resolver questões altamente sensíveis, como o destino do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã e seu programa nuclear, o que foi uma das principais justificativas dos americanos e israelenses para o início da guerra. Esse imbróglio, aliás, levou mais de dois anos para ser solucionado no tratado de 2015, assinado na era Barack Obama com Teerã — do qual Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos durante seu primeiro mandato.
Caso as partes não cheguem a um acordo dentro desse prazo, o cronograma poderá ser estendido.