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As justificativas ruins de Jaques Wagner para as pesadas suspeitas levantadas pela PF

19 de Junho de 2026, 19:12 0 visualizações
As justificativas ruins de Jaques Wagner para as pesadas suspeitas levantadas pela PF

Alvo de uma operação da Polícia Federal, que investiga graves suspeitas sobre o seu relacionamento com o Banco Master, Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, tentou justificar algumas das evidências contra ele levantadas na investigação, mas o resultado foi desastroso — e considerado insuficiente até mesmo por pessoas do governo e do PT.

Uma das explicações que constrangeram até aliados foi sobre o dinheiro encontrado em seus endereços, em Salvador, cujas imagens vão pressionar as campanhas petistas nas eleições deste ano. A PF encontrou nada menos que 55.000 dólares e 33.000 euros, o que, convertido para a moeda brasileira, daria hoje cerca de 478.000 reais.

Em entrevista à BandNews na mesma quinta-feira, 18, em que foi alvo da operação, ele disse que a maior parte do dinheiro era de diárias recebidas para viagens em missões oficiais do Senado.  Segundo o Portal da Transparência da casa legislativa, Wagner recebeu cerca de 337.000 reais em diárias desde 2019, ou seja 140.000 reais a menos do que ele tinha em dinheiro vivo em seus endereços.

Ele alegou que, além das diárias, comprou parte das moedas estrangeiras durante as viagens. “Eu várias vezes viajei para o exterior. Mandei até levantar e, de 2019, para cá eu recebi de diárias aproximadamente 70 mil dólares. E outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho a conta, dólares ou euro para fazer a viagem”, afirmou.

A explicação dada por ele para acumular tanto dinheiro é que ele recebia em papel moeda do Senado, mas gastava com cartão durante as viagens. “Está guardado no cofre porque (quando) eu vou viajar nem sempre eu levo a diária, às vezes gasto com um cartão e portanto o dinheiro está lá. Os envelopes, inclusive, onde estavam no caso de Brasília, eram envelopes com um timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólar”, relatou.

Há vários problemas na justificativa. Um deles é que guardar quase meio milhão de reais em dinheiro em casa não é um comportamento padrão — nem de fácil aceitação — para a maioria dos cidadãos, que preferem guardar grandes quantias em bancos. Outro ponto a ser questionado é como ele conseguiu fazer com que sobrasse tanto dinheiro das diárias pagas pelo Parlamento. Mais: se ele gastou em cartão, esse dinheiro não teria que ser depositado no banco para pagar a dívida do cartão? Por fim, a imagem de tanto dinheiro guardado em casa costuma ser fatal para políticos com pretensões eleitorais, como Wagner, que é candidato à reeleição — além de prejudicar o discurso de todo o partido na campanha.

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Apartamento

A justificativa para outra suspeita levantada pela PF foi ainda pior. Segundo a investigação, Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, comprou para o senador um apartamento avaliado em 2,5 milhões de reais no Horto Florestal, bairro de alto padrão de Salvador. O imóvel, que fica no empreendimento de luxo Poème Horto, tem 36 andares e duas unidades por pavimento. Cada unidade tem 203 metros quatros e quatro suítes,

Wagner não só admitiu que o banqueiro realmente comprou o apartamento, como tratou isso com uma surpreendente naturalidade. “É um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar o apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima era um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois, eu vou recomprar. Porque o apartamento está em construção, não está pronto. Então, eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar”, disse o senador à BandNews.

Ou seja, Wagner achou que tudo bem um senador da República, ex-governador da Bahia e líder do governo federal no Senado não cometeu nenhuma impropriedade ao pedir a um banqueiro, que tem negócios com o poder público, para comprar um apartamento para a sua filha.

Se as declarações dadas em entrevista foram ruins, o posicionamento oficial emitido pelo gabinete do senador não foi melhor. Entre outras coisas, a nota diz que “o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar”, como se não fosse grave o fato de ter sido adquirido para a filha dele graças a um pedido seu feito ao banqueiro (leia a íntegra da nota abaixo).

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Pressão

A situação delicada de Wagner atingiu o ânimo da militância petista e deixou impacientes algumas de suas lideranças, que cobram, cada vez mais em público, que ele dê explicações convincentes e que se afaste do posto de líder do governo no Senado, tanto para se defender melhor quanto para não contaminar Lula e a campanha eleitoral dos petistas pelo país.

No grupo digital “Pode Espalhar”, criado pelo PT com quase 300 influenciadores escalados para defender o governo nas redes sociais, o clima é de indignação e de desânimo. “Importante esclarecer rapidamente a origem e legalidade do dinheiro de forma convincente”, escreveu uma integrante. Outro participante afirmou esperar que “o presidente Lula e a Executiva do Partido não passem pano” para o episódio — leia matéria sobre isso aqui.

Na entrevista à BandNews, Wagner também foi mal ao arrastar Lula para a sua crise e a colocar o presidente sob pressão ao dizer que não entregaria o posto no Senado e que, se o presidente quisesse, que o tirasse de lá. O senador revelou ainda que Lula teria ligado para ele para manifestar solidariedade, coisa que o presidente não fez até agora em público.

A expectativa é que a soma do conjunto de evidências levantadas pelas investigações (e a gravidade das suspeitas) com as explicações ruins do senador acabem pressionando para que ele entregue o cargo ainda no início da próxima semana.

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Reportagem de VEJA

Wagner também reagiu mal na semana passada após reportagem exclusiva de VEJA apontar que Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, incluiu na sua proposta de delação detalhes da sua relação com o PT da Bahia, incluindo a participação do senador e de outro ex-governador baiano, Rui Costa. Contratos feitos nas gestões de ambos na Bahia foram fundamentais para alavancar os negócios do banco — leia a reportagem aqui.

Wagner preferiu atacar o trabalho jornalístico. “Quero me solidarizar com Vossa Excelência e antecipar que meu advogado já está preparando a peça para processar a revista”, disse o líder do governo Lula durante a sessão do Senado. O instituto da leviandade, ou nas instituições, ou na imprensa, ou nas redes brasileiras, precisa ter um ponto final”, completou.

As declarações foram feitas na tribuna do Senado na terça-feira, 16 — dois dias depois, veio a operação da PF.

Nota

Veja como o senador se defendeu em seu pronunciamento oficial encaminhado à imprensa:

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O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.

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