Casa dos Ventos capta US$ 1,1 bilhão e surfa onda global dos data centers
A corrida global por inteligência artificial e infraestrutura digital está criando uma nova frente de demanda para o setor elétrico brasileiro, e a Casa dos Ventos acaba de transformar essa tendência em uma das maiores captações privadas de dívida já realizadas por uma empresa nacional no mercado americano.
A companhia levantou aproximadamente 1,1 bilhão de dólares por meio de uma operação de private placement nos Estados Unidos. Os recursos serão destinados à construção de parte dos complexos eólicos Ibiapaba, no Ceará, e Dom Inocêncio, no Piauí, além do projeto solar Paraíso, em Mato Grosso do Sul. A energia produzida abastecerá operações ligadas à infraestrutura digital, por meio de contratos de longo prazo firmados com a Ascenty e com a Omnia, esta última responsável pelo atendimento ao cliente final ByteDance, controladora do TikTok.
A operação reforça o protagonismo do Brasil em um mercado que vem ganhando relevância global: o fornecimento de energia limpa para sustentar o crescimento acelerado dos data centers. Com o avanço da inteligência artificial, serviços em nuvem e plataformas digitais, a demanda energética dessas estruturas se tornou uma preocupação estratégica para empresas de tecnologia em todo o mundo.
A emissão foi dividida em duas tranches realizadas por subsidiárias integrais da Casa dos Ventos: uma de 825 milhões de dólares, com prazo de 24 anos e amortização integral, e outra de 252 milhões de reais, com prazo de 17 anos e amortização parcial. O interesse dos investidores surpreendeu. A demanda foi três vezes superior à oferta inicial, atraindo 23 investidores institucionais, entre seguradoras, gestoras de ativos e fundos de pensão. “Essa transação representa um marco para a Casa dos Ventos e evidencia nossa capacidade de acessar o mercado internacional com condições competitivas”, afirma Lucas Araripe, diretor-executivo da companhia.
O forte apetite do mercado americano também é interpretado como um voto de confiança nos ativos brasileiros de infraestrutura, especialmente aqueles capazes de oferecer previsibilidade de receitas por meio de contratos de longo prazo. “A receptividade que encontramos no mercado de capitais norte-americano foi excepcional. Esse apetite confirma a solidez do nosso modelo de negócio e a confiança do investidor global em ativos de infraestrutura brasileira com alta previsibilidade de fluxo de caixa”, afirma Ivan Hong, CFO da Casa dos Ventos.
A operação também reforça a parceria estratégica com a TotalEnergies, acionista da companhia. Para Stéphane Michel, presidente de Gás, Renováveis e Energia da multinacional francesa, o Brasil ocupa posição central na estratégia global do grupo. “O Brasil é um mercado-chave para a implementação do modelo de Energia Integrada da TotalEnergies no setor elétrico. Graças à nossa parceria com a Casa dos Ventos, estamos particularmente bem posicionados para atender à crescente demanda dos data centers”, afirmou o executivo.
Nesse cenário, o Brasil reúne duas vantagens competitivas: abundância de recursos renováveis e capacidade de atrair capital estrangeiro de longo prazo. A combinação pode colocar o país em posição privilegiada na disputa global para abastecer a infraestrutura que sustenta a nova economia digital.