Cometa interestelar pode ser o corpo mais antigo já observado dentro do Sistema Solar
Em 2025, um objeto à época não identificado foi observado de passagem perto do Sol. Agora, um estudo recente publicado na revista Nature mostra que a aparição era um cometa, e esse corpo estelar pode ser o mais antigo já observado dentro do Sistema Solar.
Observado por meio da junção das capacidades do Telescópio James Webb e o Observatório Alma, no Chile, a luz emitida pelo cometa nomeado 3I/Atlas chamou atenção à época e até angariou teorias da conspiração de que ele seria uma nave alienígena, ideia negada pela Nasa.
Na realidade, o 3I/Atlas trata-se de um dos possíveis objetos mais antigos a passar pelo Sistema Solar, além do terceiro único corpo de fora do sistema a visitá-lo e ser observado pela humanidade. Através da análise química de seus isótopos, os pesquisadores da Nasa e da Agência Espacial Europeia conseguiram identificar uma série de características sobre o corpo celeste.
A análise revelou uma composição química “nunca antes vista em qualquer corpo do sistema solar”, de acordo com o estudo. O cometa tem dez vezes mais deutério, isótopo do hidrogênio encontrado com frequência em água pesada, versão mais densa e quimicamente diferenciada do líquido. Martin Cordiner, autor principal do estudo, explica que essa abundância de deutério ocorre apenas em ambientes de frio extremo. O cometa, por sua vez, acaba por ser um dos também objetos mais frios já vistos. Segundo o estudo, ele foi formado em um ambiente de -243ºC.
Sua idade também impressiona. A pesquisa identificou que o corpo celeste muito provavelmente foi formado há cerca de 12 bilhões de anos, o que contrasta com a idade relativamente jovem do Sistema Solar em que reside a Terra: 4,5 bilhões de anos. De acordo com o estudo, o Atlas pode ter “nascido” durante um período conhecido como “meio-dia cósmico”, quando diversas estrelas antigas observadas também se formaram.
Os outros objetos celestes de fora do Sistema Solar que passaram pelo nosso espaço foram o 1I/’Oumuamua, observado em 2017, e o 2I/Borisov, visto em 2019. Ainda assim, eles não ficaram à mostra o suficiente para garantir a possibilidade de estudar seus isótopos.