Início / Como Neymar foi parar em um ‘negócio da China’

Como Neymar foi parar em um ‘negócio da China’

16 de Junho de 2026, 20:19 0 visualizações
Como Neymar foi parar em um ‘negócio da China’

A Copa do Mundo vai muito além dos gramados quando o assunto é a relação entre Brasil e China. O futebol, uma das maiores paixões compartilhadas pelos dois países, se tornou uma poderosa ferramenta de imagem capaz de abrir portas para empresas brasileiras em um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores. Na percepção dos chineses, o Brasil está diretamente ligado a ídolos como Pelé e Neymar, nomes que representam muito mais do que esporte no país oriental.

Neymar e Pelé são os maiores ídolos do futebol na China

Segundo Theo Paul Santana, especialista em China e fundador do Destino Brasil/China, Neymar se transformou em um verdadeiro símbolo da identidade brasileira no país asiático. “Quando a gente fala Neymar aqui na China, eles não estão só usando o jogador, eles estão usando literalmente a imagem do Brasil”, explica. Para os chineses, a associação remete à alegria, juventude, energia e um estilo de vida que as marcas procuram transmitir em suas campanhas.

Efeito pode ser aproveitado para ‘vender’ produtos do Brasil

Esse fenômeno, que Theo chama de “efeito Neymar”, também pode ser aproveitado por pequenas e médias empresas brasileiras. A estratégia não exige necessariamente contratos milionários com celebridades. Muitas vezes, utilizar elementos facilmente reconhecidos, como as cores da bandeira brasileira, referências ao samba, à natureza ou ao futebol, pode ajudar produtos nacionais a se destacarem no mercado chinês justamente durante os grandes eventos esportivos.

Empresa chinesa investe em tucano, capivara e onça como símbolos

Um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento é o da Luckin Coffee, gigante chinesa do setor de cafeterias. Desde 2023, quando foram fechados os primeiros contratos de compra de café brasileiro, o tradicional alce azul, símbolo da marca, ganhou a companhia de elementos da fauna e da natureza do Brasil. Capivaras, tucanos, onças-pintadas e a própria Floresta Amazônica passaram a estampar copos, embalagens e campanhas da empresa, transformando o Brasil no grande personagem da narrativa visual da marca.

Brazil Season

A estratégia foi ampliada com a campanha “Brazil Season” e um acordo bilionário para a compra de aproximadamente 240 mil toneladas de café brasileiro até 2029. O caso mostra como a China não consome apenas a matéria-prima brasileira, mas também o imaginário associado ao país. “A China acaba utilizando essa imagem do Brasil para promover um pouco de soft power brasileiro dentro do país”, afirma Theo.

Continua após a publicidade

Fluxo comercial entre Brasil e China

A oportunidade ganha ainda mais relevância diante da dimensão da parceria comercial entre Brasil e China. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou mais de 46 bilhões de dólares para a China. O país asiático é o principal destino dos produtos brasileiros, absorvendo cerca de um terço de todas as exportações mostrando que ainda existe espaço para empresas brasileiras explorarem algo que já está na mente do consumidor chinês: a associação do Brasil ao futebol, à alegria e à sua riqueza cultural.

Theo explica que é preciso “usar o momento em que o Brasil está sendo lembrado por causa do futebol para apresentar produtos brasileiros de uma forma mais inteligente”, conclui. 

Futebol e a publicidade

No fim das contas, Pelé e Neymar representam algo que poucas campanhas de marketing conseguem construir do zero: reconhecimento imediato. Em um mercado altamente competitivo como o chinês, a Copa do Mundo pode ser a grande vitrine para que marcas brasileiras deixem de vender apenas produtos e passem também a exportar a própria identidade.

Publicidade

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.