Como Tony Ramos representa homofobia velada em ‘Quem Ama Cuida’
Tony Ramos é um dos melhores destaques em Quem Ama Cuida, novela das 9 da Globo escrita por Claudia Souto e Walcyr Carrasco. Intérprete do batalhador Otoniel, o ator chama a atenção por causa da relação afetuosa com a filha Elisa (Isabela Garcia) e com os netos, a mocinha Adriana (Letícia Colin) e o jovem Maurício (João Vitor Gonçalves). A dinâmica com o rapaz, porém, provoca reflexões sobre um comportamento ainda naturalizado na sociedade: a homofobia velada.
Por causa do jeito expansivo de Mau Mau, que é gay, Otoniel tenta podar seus trejeitos afeminados, pedindo para que o neto “fale direito” e “abaixe suas asas” na frente de outras pessoas. Essa preocupação constante com a forma do menino se expressar se aproxima da realidade de muitos pais e avós que, oriundos de gerações anteriores e conservadoras, veem como algo pouco “natural” da natureza masculina. E é aí que reside a homofobia velada: acreditar que exista um padrão de comportamento adequado para os rapazes.
Querendo ou não, é um tipo de violência subentendida em comentários, repreensões e expectativas que buscam limitar a liberdade de expressão de jovens LGBTQIA+. O sofrimento provocado por esse controle emocional é retratado sem didatismo excessivo em Quem Ama Cuida, mas que pode gerar debates em casas do público que acompanha o folhetim.
A novela sugere que o preconceito nem sempre se manifesta por meio da agressividade explícita. Em muitos casos, ele está incorporado a comportamentos reproduzidos por pessoas que acreditam estar protegendo aqueles que amam. Um serviço que segue relevante de ser abordado em pleno horário nobre da televisão brasileira.
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