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Como um economista de Harvard foi parar na seleção dos Estados Unidos

24 de Junho de 2026, 19:14 0 visualizações
Como um economista de Harvard foi parar na seleção dos Estados Unidos

Há uma cena em “Brasil 70: A Saga do Tri”, série do Netflix que dramatiza a campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970, em que Pelé encontra Tostão agarrado em um livro na beira da piscina do hotel. “Estou estudando para o vestibular”, diz o personagem mineiro. O ex-craque já disse que aquilo não aconteceu, pois só foi fazer a prova para entrar na faculdade de Medicina cinco anos depois, já aposentado dos campos. A carreira de jogador profissional sempre exigiu muita dedicação aos treinos, e é raríssimo que alguém concilie a profissão com uma vida acadêmica.

Pois a seleção dos Estados Unidos tem um goleiro que fez isso, e não foi em qualquer faculdade. Matt Freese se formou em Economia em Harvard, uma das universidades mais prestigiosas do planeta. Para conseguir o diploma, teve que recusar uma irrecusável proposta para defender o Manchester United aos 18 anos de idade. “Eu era um garoto de 18 anos. Você segue o que seus pais querem, pelo menos naquele momento”, disse ele à Fox Sports. “Um ano e meio depois, virei homem e disse: agora o futebol vem primeiro.”

E virou. Prestes a completar 20 anos, resolveu que continuaria os estudos à distância, voando para a faculdade quando precisava fazer provas, e arrumou um contrato para jogar no Philadelphia Union. Era o terceiro reserva, e as aulas ajudavam a manter o foco nos anos difíceis da carreira. “Frequentar aulas ocupava meu tempo, ocupava minha mente e oferecia uma válvula de escape muito natural fora de campo”, afirmou nesta terça-feira, às vésperas de defender a seleção dos Estados Unidos pela terceira vez em uma Copa do Mundo. 

Usou os estudos, inclusive, para desenvolver uma pesquisa sobre padrões de cobrança de pênaltis, que nunca publicou porque considera sua arma secreta.

O caminho entre o reserva do reserva do reserva do Philadelphia Union até a meta da seleção jogando uma Copa em casa foi tortuoso. Começou a carreira na sombra de Andre Blake, eleito melhor goleiro da MLS três vezes. Foram quatro anos quase sem jogar. Em janeiro de 2023, foi negociado para o New York City FC, e foi ali que sua carreira se transformou. No segundo ano no clube, terminou entre os três goleiros com mais defesas na liga. Em janeiro de 2025, recebeu a primeira convocação para a seleção americana e, seis meses depois, era titular. “Sonhei com essa oportunidade, trabalhei por ela, e não vou deixa-la escapar por nada”, afirmou.

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Até agora, sofreu apenas um gol em dois jogos, e é uma das estrelas do surpreendente time americano, que estreou com uma goleada de 4 a 1 sobre o Paraguai e emendou um 2 a 0 seguro, mesmo sem seu camisa 10 Pulisic, sobre a Austrália, garantindo antecipadamente a classificação para o mata-mata. Depois do jogo contra os australianos, seu primeiro invicto na Copa, disse que a conquista “encheu de fome de jogar mais jogos e avançar o máximo possível”. 

Hoje seu reserva é Matt Turner, o titular na Copa de 2022. Os dois, jura, são amigos. “Ele tem sido muito prestativo, com conselhos e incentivo, e significa muito para mim tê-lo comigo nessa jornada”.

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Foram 13 os bacharéis de Harvard que ganharam o Prêmio Nobel de Economia. Entre os ex-alunos estão Bill Gates e Mark Zuckerberg, alguns dos homens mais ricos do planeta. Não há registro, porém, de alumni campeões de uma Copa do Mundo. Será que Freese será o primeiro?

A seleção dos Estados Unidos joga contra a Turquia nesta quinta-feira, às 23h (horário de Brasília), no Estádio de Los Angeles, e um empate garante a primeira colocação no grupo D.

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