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Em crítica a João Campos, presidente do PT no Recife diz que ‘Lula não é patrimônio do PSB’

19 de Junho de 2026, 14:52 0 visualizações
Em crítica a João Campos, presidente do PT no Recife diz que ‘Lula não é patrimônio do PSB’

O presidente do PT no Recife, o vereador Osmar Ricardo, usou as redes sociais para fazer uma dura crítica ao ex-prefeito da cidade e pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB), afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é uma propriedade dele.

A mensagem foi uma resposta aos últimos gestos de Campos para tentar garantir que Lula esteja somente no seu palanque em Pernambuco, inviabilizando sua relação com a atual governadora, e sua maior oponente eleitoral, Raquel Lyra (PSD).

“Lula não é patrimônio do PSB. Pernambuco é maior que qualquer grupo político. A tentativa de transformar Lula em propriedade eleitoral do PSB não apaga os problemas deixados no Recife nem substitui o debate sobre gestão, obras, saúde, transporte e transparência. Respeitar Lula não significa entregar Pernambuco de volta ao mesmo grupo de sempre”, escreveu Osmar, que é um dos petistas que melhor representa a divisão interna do PT no estado, fazendo oposição a João Campos e apoiando Raquel Lyra, mesmo com o partido estando coligado com o PSB.

“Defender Lula e o PT é defender um projeto que transformou vidas. A política precisa respeitar essa trajetória. Lula não cabe em apropriação eleitoral, nem pode ser reduzido a estratégia de grupo. Lula representa um povo, uma caminhada e uma luta coletiva muito maior. Lula é do povo. O PT é parte da história do povo.
E essa história merece respeito”, finalizou o presidente municipal do PT.

Entenda a situação

O presidente Lula é, atualmente, o maior cabo eleitoral de Pernambuco, tendo obtido quase 70% dos votos em 2022. Apesar do PSB de João Campos estar coligado com o PT de Lula, o que lhe daria, em tese, vantagem de palanque, a governadora Raquel Lyra manteve uma boa relação com o presidente e o governo federal nos últimos anos, levando o petista a fazer-lhe diversos elogios nos últimos meses.

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Com a eleição ao estado de Pernambuco polarizada entre Campos e Lyra, o melhor para Lula seria ter o apoio dos dois. No entanto, João Campos movimenta-se para não perder a vantagem de ter o presidente somente ao seu lado. Pela estratégia passa, inclusive, o fortalecimento da aliança do PT com o PSB a nível nacional.

No começo da última semana, no entanto, o ministro do Desenvolvimento, Wellington Dias, que é também coordenador da campanha à reeleição de Lula no Nordeste, afirmou que Raquel também seria apoiada por Lula. Após o mal-estar que a declaração gerou no PSB, o ministro foi desmentido pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que foi categórico ao afirmar que Lula só vai apoiar Campos.

Nos bastidores, sabe-se que Campos ficou muito incomodado e se movimentou para pedir que Lula gravasse um vídeo declarando seu apoio. No material, publicado nas redes sociais do líder dos socialistas, o presidente diz que tem um compromisso histórico com a família de João Campos e com o PSB, relembrando sua relação com os ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos.

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A situação provocou uma série de repercussões locais, levando aliados de Lyra a minimizarem o possível impacto do material, bem como outros expoentes da política, como o ex-vereador Ivan Moraes (PSOL), que também disputará o governo, a dizer que tentar deixar Lula em um único palanque é uma forma de prejudicar a tentativa de reeleição do petista em nome de um projeto pessoal.

Raquel Lyra, por sua vez, em entrevista de Páginas Amarelas de VEJA, afirmou que tem no estado uma aliança ampla que vai do PSOL ao PL, evitando dizer quem vai apoiar para a Presidência — mas sem deixar de ser elogiosa a Lula.

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