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Hegseth anuncia revisão do número de soldados americanos na Europa e volta a ameaçar Otan

18 de Junho de 2026, 13:16 0 visualizações
Hegseth anuncia revisão do número de soldados americanos na Europa e volta a ameaçar Otan

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quinta-feira, 18, uma nova revisão do destacamento de soldados americanos na Europa e ameaçou reter parte das contribuições de Washington à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) caso os demais membros da aliança militar não cumpram suas metas de gastos com defesa.

Dirigindo-se aos ministros da Defesa na sede da Otan em Bruxelas, Hegseth declarou que a revisão duraria até seis meses e incluiria consultas com o Congresso dos Estados Unidos. Embora não tenha dito explicitamente que o processo pode resultar em reduções no contingente de forças americanas no velho continente, ele enfatizou que o objetivo seria incentivar as nações europeias a tomarem responsabilidade por sua própria segurança.

“Não se enganem, esta será uma revisão real. Ela será projetada para garantir que a Otan esteja avançando de forma rápida e irreversível para que a Europa lidere e assuma a responsabilidade principal pela sua defesa”, disse o secretário de Defesa americano.

Hegseth também criticou os aliados que não apoiaram os Estados Unidos durante a guerra com o Irã, depois que alguns negaram às forças americanas acesso a suas bases e espaço aéreo para atividades relacionadas à incursão. Segundo ele, a revisão do destacamento garantirá que os direitos de Washington para usar instalações militares de países europeus sejam garantidos.

Afastamento

A declaração de Hegseth vem em um momento em que os membros da Otan correm para corrigir as lacunas em suas forças de crise — as capacidades militares nacionais comprometidas com a aliança transatlântica em casos de emergência — depois que o governo Donald Trump cortou algumas contribuições com efeito imediato.

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No mês passado, os Estados Unidos comunicaram a seus aliados que haviam decidido reduzir o quinhão americano na aliança reservado a cenários de crise, um sinal de alerta às vésperas de uma cúpula da Otan em Ancara, nos dias 7 e 8 de julho. A medida, segundo a Casa Branca, visa encerrar gradualmente uma “codependência prejudicial” da Europa em relação às forças americanas.

Washington não divulgou detalhes de suas reduções, mas elas incluem aeronaves de reabastecimento a caças, drones e navios, de acordo com apuração da agência de notícias Reuters. O número de caças F-15 e F-15E americanos disponíveis para a Otan cairá em um terço, para 99, e o número de drones MQ-4 e MQ-9 Reaper cairá pela metade, para 12, segundo a reportagem.

Ao chegar para a reunião com seus homólogos na sede da aliança em Bruxelas, Hegseth declarou que os Estados Unidos seriam francos, tanto em público quanto em privado, sobre os países que precisam se mexer para cumprir suas metas militares.

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“(Há) alguns que ainda precisam fazer mais, e seremos francos sobre isso, tanto em privado quanto em público. Acho que isso é importante, amigos sendo honestos com amigos”, disse ele. “A Otan 3.0 é o reconhecimento pós-Guerra Fria de que é preciso retornar a uma aliança militar de linha dura que tenha capacidades militares reais capazes de dissuadir aqui mesmo no continente e assumir a liderança na defesa convencional da Europa.”

Impacto imediato

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, reconheceu que a redução das contribuições dos Estados Unidos para as forças de crise já entrou em vigor.

“A pergunta de ontem foi: isso é imediato ou não? É imediato”, disse ele a repórteres em Bruxelas, mas fez uma ressalva. “No entanto, o motivo pelo qual estou um pouco relutante em dizer isso é porque se trata de uma ferramenta de planejamento. Então, o que aconteceria na realidade? Se uma guerra eclodisse, todos os aliados, incluindo os Estados Unidos, fariam o máximo possível para garantir que pudéssemos lutar na guerra.”

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Alguns ministros da Defesa detalharam antes da reunião propostas para aumentar suas contribuições para o fundo de crise da Otan. O belga Theo Francken disse que seu país contribuiria para substituir algumas capacidades dos Estados Unidos, incluindo com o fornecimento de caças F-16 e drones MQ-9B SkyGuardian.

“Haverá discussões intensas sobre quem fará o quê, mas posso dizer que a Bélgica está contribuindo”, garantiu o ministro.

Preencher outras lacunas levará mais tempo, já que os europeus carecem de armas como mísseis de ataque profundo, o que levou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, a pedir um processo sincronizado para evitar “lacunas perigosas de capacidade na Europa”. “É difícil e perigoso para a segurança do território da Otan na Europa se as capacidades forem retiradas muito rapidamente sem que haja clareza sobre quando poderão ser compensadas”, alertou ele.

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