Inovar para transformar
Escalar startups e empresas em estágio inicial, principalmente as ligadas ao setor de bens de consumo e soluções tecnológicas aplicadas ao varejo. Esse é o objetivo do hub de venture capital da BAT, que chega agora ao Brasil. Suportado pelo fundo global Btomorrow Ventures, braço de investimento da companhia criado em 2020, o novo projeto pretende conectar o ecossistema de novos negócios à musculatura operacional do grupo BAT.
Para Claudia Woods, CEO da BAT Brasil, o novo hub é um dos ativos mais concretos da jornada de transformação da BAT, pois conecta inovação, novos negócios e capacidade de execução para construir o futuro da companhia. Assim, é peça fundamental para esse novo momento da empresa, que tem como meta que, até 2035, 50% de sua receita global seja gerada por novos negócios. “A nossa meta global para 2035 deixa claro que a transformação da companhia não é um plano distante, ela está acontecendo agora. Para acelerar essa transição, nós escolhemos o caminho do ecossistema aberto. Esse hub materializa a nossa proposta de valor: conectar a agilidade do empreendedorismo com a robustez e a capacidade de execução que construímos ao longo da nossa história”, afirma a executiva, que em sua carreira acumulou vasta experiência em startups, fintechs e empresas digitais.
Globalmente, a Btomorrow Ventures já aportou 1,1 bilhão de reais em 31 startups investidas, como as norte-americanas More Labs e Moment, desenvolvedoras de bebidas funcionais, e a canadense Awake Chocolate, produtora de snacks com cafeína. Atualmente, o fundo possui 2,2 bilhões de reais para novos investimentos globais, sendo o Brasil um dos polos prioritários de alocação. A BAT identificou o mercado brasileiro como o ambiente fértil para aportes, uma vez que mantém um ecossistema maduro de startups, tecnologia financeira avançada e um varejo altamente sofisticado. “A Btomorrow Ventures enxerga o Brasil como um mercado prioritário porque o ecossistema local já passou da fase de testes; ele é maduro, altamente digitalizado, e o nosso varejo é referência mundial. Existe uma sinergia muito clara entre as soluções que estão sendo criadas aqui e a nossa capacidade operacional, o que torna o país o ambiente ideal para alocar esse capital global”, diz a CEO.
Seleção de empresas
A estratégia central é investir em empresas locais e prepará-las para uma possível expansão global. Mais do que recursos, a BAT oferece o conhecimento prático e experiência de mais de 120 anos, além de acesso direto a uma malha de 250 000 pontos de venda, garantindo escala em distribuição, logística e manufatura para as investidas.
Diferentemente do modelo comum de corporate venture capital, que busca soluções para demandas internas, a proposta é inversa: servir a essas empresas. O foco, portanto, vai além de investir, sendo voltado à construção de novos negócios, aportando uma dimensão crítica que vai além do capital e visa a capacidade de planejamento, execução e distribuição em larga escala para transformar startups em marcas nacionais
Nesse estágio de atuação no Brasil, o fundo busca empreendedores prontos para ir além, oferecendo acesso a canais nacionais e inteligência de mercado com base na metodologia T Factor, que foca em reduzir o gap entre a inovação e a escala, desafio no qual a maioria das startups costuma falhar. Essa prática foi desenvolvida em parceria com os próprios empreendedores das iniciativas investidas, mapeando o conjunto de capacidades que a BAT pode aportar, para além do capital.
Casos de sucesso
O Brasil, segundo a executiva, não é apenas um destino de investimento, mas também deve funcionar como trampolim para a expansão internacional das startups investidas, com base no posicionamento global da BAT em mais de 140 países. O país já conta com exemplos de companhias que foram beneficiadas pela Btomorrow Ventures.

Foi o que aconteceu com a Mais Mu, startup brasileira de snacks e suplementos funcionais que, após receber um aporte, saltou de 6 000 para mais de 40 000 pontos de venda em apenas 18 meses, em função da parceria logística com a BAT. O sucesso da marca é impulsionado por produtos líderes de mercado, como o Chocowheyfer, que se consolidou como o wafer proteico número um em vendas no Brasil, e a linha Wheyfer, que hoje é a segunda barra de proteína mais vendida de São Paulo.
Já a Uello, empresa de soluções tecnológicas de gestão de transportes investida em 2021, teve seu valuation elevado em 87% após o aporte e suporte tecnológico do fundo. A parceria foi decisiva para a estratégia de internacionalização da empresa, ao utilizar o conhecimento de mercado da BAT para expandir as operações e acelerar sua entrada e consolidação de marca nos mercados da Colômbia e do Chile. Em 2022, a Uello foi adquirida e passou a fazer parte do ecossistema Lojas Renner S.A. como integrador na plataforma logística do grupo.
“Por meio da metodologia T Factor, nós conseguimos ajudar esse empreendedor a reduzir a distância entre a inovação e a escala, usando nossa experiência para transformar esses negócios em marcas nacionais e globais”, afirma Claudia Woods. Assim, ao conectar a companhia às próximas gerações de negócios e consumo, o novo hub vai atuar para acelerar as transformações do grupo BAT no Brasil, apoiando a evolução das empresas no ritmo acelerado que o cenário atual demanda, bem como a construção de novos mercados, alinhados com as mudanças pelas quais a sociedade vem passando