Morre executivo que preservou a tradição à frente da relojoaria Patek Philippe
O mundo da alta relojoaria despede-se de um de seus maiores nomes. Philippe Stern, presidente honorário da prestigiada Patek Philippe, morreu no domingo, 14, aos 87 anos incompletos. A sua morte foi confirmada por meio de um comunicado oficial emitido pela marca sediada em Genebra. A empresa descreveu o executivo como um “espírito pioneiro e visionário”, reforçando que a sua “vida foi marcada pela paixão e excelência” pela arte de medir o tempo. A causa da morte não foi revelada.
Nascido em novembro de 1938, Philippe representava a terceira geração da família no comando desta casa relojoeira, adquirida pelo seu avô em 1932. A consolidação do seu triunfo deu-se através da firme resistência durante a crise do quartzo nos anos 1970. Enquanto o setor suíço colapsava, Stern recusou-se a abandonar a tradição mecânica, apostando que a clientela sofisticada sempre valorizaria o artesanato muito acima da produção eletrônica em massa.
Ainda antes de assumir a direção geral em 1977, foi vital no revolucionário lançamento do Nautilus em 1976. Desenhado por Gérald Genta, este modelo luxuoso em aço inoxidável subverteu os padrões estabelecidos da época e tornou-se um ícone altamente cobiçado.
No seu mandato como presidente (de 1993 a 2009), Stern batalhou incansavelmente para manter a Patek Philippe independente e sob controle familiar, num período de forte consolidação da indústria. Foi ele quem liderou o icónico projeto do Calibre 89, à época o relógio portátil mais complexo do mundo. Mais tarde, unificou a produção na central de Plan-les-Ouates e estabeleceu o exigente Selo Patek Philippe em 2009.
O seu legado cultural imortalizou-se com a abertura do Patek Philippe Museum em 2001, espaço que preserva mais de cinco séculos de história em Genebra. Fora dos ateliês, Philippe notabilizou-se como um velejador de extraordinário sucesso, vencendo sete vezes a prestigiada regata Bol d’Or.
Em 2009, transferiu as rédeas da empresa ao seu filho, Thierry Stern, assumindo a posição honorária. A morte de Philippe Stern encerra uma era dourada, mas a pujança da relojoaria mecânica prospera como a prova inegável do seu brilhante legado.