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MPF e MPE pedem à Justiça suspensão de licença para nova etapa do pré-sal na Bacia de Santos

16 de Junho de 2026, 17:34 0 visualizações
MPF e MPE pedem à Justiça suspensão de licença para nova etapa do pré-sal na Bacia de Santos

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) ingressaram com uma ação civil pública para suspender a licença prévia concedida pelo Ibama à chamada Etapa 4 do pré-sal na Bacia de Santos.

Os órgãos sustentam que o processo de licenciamento não avaliou adequadamente os impactos climáticos do empreendimento e pedem a anulação da autorização.

A ação foi protocolada nesta segunda-feira (15) contra o Ibama e a Petrobras.

O objetivo é impedir o avanço do licenciamento até que sejam apresentados estudos complementares sobre as emissões de gases de efeito estufa associadas ao projeto e sobre medidas para mitigação e compensação desses impactos.

A nova fase de exploração prevê a entrada em operação de dez plataformas entre 2026 e 2032 em águas profundas da Bacia de Santos, principal polo produtor de petróleo do país.

Debate gira em torno das emissões indiretas

O principal ponto de controvérsia envolve a contabilização das chamadas emissões indiretas, geradas pela queima dos combustíveis produzidos pelas futuras plataformas.

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Segundo cálculos apresentados no processo de licenciamento, cerca de 3,6 bilhões das 3,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono associadas ao empreendimento decorreriam do consumo final de petróleo e gás extraídos na área. Para o Ministério Público, essas emissões precisam ser consideradas na análise da viabilidade ambiental do projeto.

A Petrobras, por sua vez, tem argumentado que tais emissões não podem ser atribuídas diretamente à atividade de produção e, portanto, não deveriam integrar as exigências do licenciamento ambiental.

A discussão acompanha uma tendência observada em diferentes países. Nos últimos anos, tribunais e órgãos reguladores passaram a exigir avaliações mais amplas dos impactos climáticos de grandes projetos de combustíveis fósseis, incluindo emissões ao longo de toda a cadeia produtiva.

Licenciamento de combustíveis fósseis entra no centro do debate climático

A ação se apoia em conclusões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e em estudos da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), que defendem a incorporação da variável climática nos processos de licenciamento ambiental.

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O debate ocorre em um momento de crescente pressão sobre governos e empresas para alinhar investimentos em petróleo e gás às metas do Acordo de Paris. Em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), o Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005.

Especialistas em políticas climáticas apontam que a expansão da produção de combustíveis fósseis tem gerado questionamentos sobre a compatibilidade dessas iniciativas com os compromissos de descarbonização assumidos pelo país.

Ministério Público critica compensações apresentadas pela Petrobras

Na ação, os procuradores afirmam que as medidas de compensação e adaptação climática apresentadas pela Petrobras são insuficientes diante da dimensão do projeto.

Entre as iniciativas propostas pela companhia está o investimento de R$ 118 milhões em projetos socioambientais até 2035. Para os autores da ação, o valor é pequeno quando comparado ao porte do empreendimento e aos resultados financeiros da estatal.

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A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110 bilhões em 2025.

Ibama concedeu licença com condicionantes

A licença prévia foi concedida pelo Ibama em setembro de 2025. O Ministério Público sustenta que o órgão reconheceu a existência de pendências técnicas, mas autorizou o avanço do projeto condicionando a continuidade do licenciamento ao cumprimento futuro das exigências.

Para os autores da ação, a avaliação da viabilidade ambiental deveria ter sido concluída antes da emissão da licença prévia, etapa que funciona como uma espécie de sinal verde inicial para o empreendimento.

Com a autorização em vigor, a Petrobras já solicitou licenças para a instalação de três das dez plataformas previstas.

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Projeto já enfrenta outros questionamentos judiciais

Esta é a segunda ofensiva judicial do Ministério Público contra a Etapa 4 do pré-sal.

Em dezembro do ano passado, o MPF ajuizou ações questionando a ausência de consulta prévia a comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras potencialmente afetadas pelo empreendimento. Os processos continuam em tramitação na Justiça Federal.

Caso a nova ação seja acolhida, o licenciamento poderá ser interrompido até que a Petrobras apresente estudos complementares sobre impactos climáticos, medidas de compensação e compatibilidade do projeto com as metas ambientais brasileiras.

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