Novo medicamento oral para câncer de mama reduz risco de morte em 38%; entenda
O novo medicamento oral para câncer de mama aprovado no início desta semana pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cobre um gargalo no tratamento da doença em relação à oferta de um remédio único para pacientes que vivem com mutações específicas em tumor avançado, que não pode ser tratado com cirurgia e que já se espalhou pelo corpo. Em testes, o imluestranto, de nome comercial Inluriyo, reduziu em 38% o risco de avanço da doença e de morte.
Seguindo uma tendência nos tratamentos para o câncer, o imluestranto tem indicação para alterações específicas e é voltado para tumor de mama positivo para receptor de estrogênio (ER+), negativo para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2-) e com mutação no receptor de estrogênio 1 (ESR1m).
Para ser apto à terapia, o paciente já deve ter utilizado ao menos um tratamento hormonal. Segundo a farmacêutica Eli Lilly, a medicação é a primeira monoterapia com este alvo liberada para uso no país.
O remédio consegue “desarmar” um problema enfrentado por metade dos pacientes com câncer de mama metastático ER+, HER2– e que já receberam a terapia endócrina. Isso porque, ao fazer o tratamento hormonal, eles passam a apresentar as mutações no gene ESR1.
Com essa alteração, os receptores do hormônio estrogênio, que “alimenta” as células cancerígenas, continuam ativos e a doença continua progredindo. Outro desafio é que o organismo desenvolve resistência aos tratamentos hormonais tradicionais.
“A oncologia mamária vem avançando com terapias-alvo guiadas por biomarcadores, uma expansão que nos aproxima de um tratamento verdadeiramente individualizado, oferecendo nova esperança e uma ferramenta terapêutica crucial para pacientes”, disse, em comunicado, Luiz André Magno, diretor médico da Lilly do Brasil.
Eficácia em testes
Em estudo de fase 3, o medicamento oral reduziu o risco de progressão da doença ou morte em 38% e melhorou a sobrevida livre de progressão para 5,5 meses ante os 3,8 meses do tratamento com terapia endócrina padrão.
Os principais eventos adversos foram diarreia, náusea, anemia e fadiga de intensidade leve a moderada e a taxa de descontinuação do tratamento foi de 4,3%.
Câncer de mama no Brasil
O câncer de mama é o tipo de tumor mais incidente em mulheres, mas também pode atingir homens.
No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são estimados 78.610 novos casos para cada ano do triênio 2026 a 2028 e 20.849 mortes por ano.