Número de mortos em terremoto na Venezuela sobe para 188 e feridos ultrapassam 1.500
O número de mortos decorrentes dos dois fortes terremotos que abalaram a Venezuela subiu para pelo menos 188, com mais de 1.520 feridos, informou nesta quinta-feira, 25, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
Os dois tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o norte da nação sul-americana com um intervalo de apenas 39 segundos na noite de quarta-feira 24, provocando o desabamento dezenas de edifícios em Caracas e muitas outras cidades. O Hospital de Clínicas de Caracas correu para reforçar o turno da madrugada, quando ainda houve mais trinta réplicas do duplo terremoto, para atender os feridos que não param de chegar.
As autoridades afirmaram que ainda há muitos presos sob os escombros, e a expectativa é de que o número de vítimas aumente conforme as operações de busca avançam. De acordo com uma plataforma criada pela oposição venezuelana para que famílias possam localizar seus entes queridos, quase 36 mil estão desaparecidos.
Segundo previsões do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), até 100 000 vidas podem ter sido ceifadas.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência. “É uma verdadeira tragédia. Estamos realizando esforços muito intensos para salvar o maior número de vidas que Deus nos permitir”, prometeu.
Assistência
O estrago foi especialmente cruel na nação que ainda luta para se recuperar de uma crise econômica que viu o PIB encolher 70% na última década e levou 7,7 milhões de pessoas a deixarem o país. Serviços de socorro e hospitais esvaziados, uma rede elétrica propensa a apagões e reservatórios de água em níveis perigosamente baixos estão entre os muitos obstáculos para a recuperação.
Delcy anunciou a criação de um fundo de US$ 200 milhões, que usará recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), para a reconstrução da Venezuela, e também fez apelos por assistência da comunidade internacional. O Brasil está entre as duas dezenas de países que se comprometeram a prestar ajuda, seja com socorristas ou suprimentos, bem como os Estados Unidos, que vêm influenciando a política local desde a operação militar que levou à captura de Nicolás Maduro, em janeiro. Da prisão em Nova York, o ex-ditador emitiu um comunicado enviando orações aos venezuelanos e afirmou que o país vai “sair mais forte” das “provações”.
Plantada sobre o ponto onde a Placa do Caribe encontra a Placa Sul-Americana, cujo atrito abriu múltiplas falhas geológicas, a Venezuela já viveu situação parecida em 1900 com o tremor de San Narciso, o mais potente da história do país. Outro, considerado o mais destrutivo, matou 30 mil pessoas em 1812. Mas a infraestrutura nunca foi adaptada, ao contrário do Japão – que também sentiu um terremoto forte poucas horas depois daqueles que sacudiram Caracas, mas sem vítimas e sem danos.