Operação no Rio mira esquema que abastece facções com munições através de CACs falsos
A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira, 26, uma operação contra um esquema de fornecimento de munição para facções. São cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A organização criminosa, segundo as investigações, documentos falsificados de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs) para efetuar a compra em uma empresa em Santa Catarina.
Estima-se que o grupo tenha obtido carregadores e mais de 10 mil projéteis de fuzil (de calibre 5,56 mm) e de pistola (de 9 mm). A ação desta quarta tem como objetivo desmantelar identificar membros da quadrilha e desmantelar o esquema.
Rio das Pedras tem vivido dias de tensão por confrontos entre Comando Vermelho (CV) e milicianos. A comunidade também foi um dos palcos de uma operação contra dois operadores da narcomilícia da região. Luick Ferreira Cabral Pequeno e Rodrigo Marques Carbone são apontados como “puxadores de guerra”, com funções que envolvem liderança de confrontos e invasões territoriais contra grupos rivais.
Para além das ofensivas armadas, investigações apontam que Pequeno e Carbone cobravam taxas extorsivas de moradores e comerciantes. O primeiro foi preso em abril na comunidade Santo Cristo, no bairro Fonseca, em Niterói, com uma arma de fogo e uma granada. Na ocasião, realizava uma ofensiva contra rivais, ao lado de comparsas da Vila do João, no Complexo da Maré, ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP).
Já Carbone foi detido nesta quarta em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, onde estava escondido. Ele foi identificado como “um dos principais integrantes do braço armado da narcomilícia, com atuação direta na mobilização de criminosos para confrontos e disputas por território em áreas de interesse do grupo”.
Desde semana passada, milicianos e membros da facção trocam tiros e lançam granadas e drones contra grupos rivais. Os embates tiveram início após o braço do CV em Muzema atacar áreas controladas pela milícia na região. Na comunidade, a polícia também encontrou a Polícia Civil encontrou um cemitério clandestino.
Os corpos eram jogados em um poço com cerca de 20 metros de profundidade, situado em uma área de mata na Estrada dos Sertões. No local, agentes encontraram dois corpos em estado avançado de decomposição e outros restos mortais, incluindo um crânio. Um dia antes, a corporação já havia encontrado outro poço usado pela milícia como ponto de desova.