Os sete melhores filmes de 2026 até agora, de ‘Devoradores de Estrelas’ a ‘Backrooms’
Às vésperas do segundo semestre, alguns dos maiores sucessos do ano já passaram pelas salas de cinema, ou seguem em cartaz. Entre o entretenimento juvenil, dramas assustadoramente contemporâneos e ameaças arrepiantes de outro mundo, confira os sete melhores lançamentos até então:
Toy Story 5
Mais de 30 anos após o primeiro Toy Story — responsável por dar o pontapé nas animações 3D e consagrar a Pixar como gigante do entretenimento —, a saga poderia ter caído no ostracismo como um boneco empoeirado. Pelo contrário, o quinto capítulo da franquia é um avanço técnico e narrativo, que encara o papel das telas na formação das crianças de hoje ao mesmo tempo em que cria arcos emocionais profundamente comoventes para suas personagens centrais, imaginando novas formas de fazer piadas existencialistas que agradam crianças e adultos. Leia resenha do filme neste link.
Cinco Tipos de Medo
Primeiro filme do Mato Grosso a sair com o prêmio máximo do Festival de Gramado, Cinco Tipos de Medo acompanha um quinteto cuiabano dentro de um suspense criminal que assume ritmo alucinante sem deixar de olhar para a vida real. A história parte da enfermeira Marlene (Bella Campos), que se apaixona pelo paciente Murilo (João Vitor Silva), mas é perseguida pelo traficante Sapinho (Xamã), triângulo perigoso que atrai a atenção do advogado Ivan (Rui Ricardo Diaz) e da policial Luciana (Bárbara Colen). “É um filme que nasce do Brasil profundo, com suas contradições, potências e histórias, que muitas vezes ficam fora do radar do audiovisual tradicional”, frisou o diretor Bruno Bini a VEJA.
O Diabo Veste Prada 2
Vinte anos depois do filme original, a sequência poderia muito bem ser apenas nostalgia barata, mas surpreende com seu olhar afiado para as agruras do mercado editorial nos Estados Unidos e no mundo, com farpas contra a economia da atenção e a influência exercida por magnatas na mídia. O roteiro inteligente de Aline Brosh McKenna carece de falas tão marcantes quanto o anterior, mas ainda reluz ao sair das bocas de Meryl Streep e Emily Blunt. Leia mais sobre o filme aqui.
Backrooms: Um Não-Lugar
Kane Parsons tinha apenas 19 anos quando pisou no set de seu primeiro longa-metragem, Backrooms, mas a precocidade trabalhou a seu favor. Baseado em uma publicação viral feita em 2019 no fórum 4Chan, o filme de terror carrega ar de novidade e impressiona pela encenação econômica, que imagina uma dimensão paralela inteiramente composta por cômodos deturpados, como se construídos por um arquiteto que já não consegue se lembrar do mundo real. As estruturas têm grande potencial discursivo e proporcionam múltiplas inspirações — desde os claros paralelos com a psicanálise até críticas subliminares à ascensão da Inteligência Artificial, a qual Parsons se opõe publicamente. Não fosse suficiente, Chiwetel Ejiofor brilha como o protagonista perturbado, e a norueguesa Renate Reinsve, enfim, se consagra em Hollywood com o papel da analista Mary.
O Drama
Apostando em um dos temas mais espinhosos dos Estados Unidos de hoje, O Drama é um dos poucos lançamentos do ano que jamais subestimam a capacidade do público e, assim, se tornou um raro sucesso de bilheteria. Na trama, os planos de casamento entre Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) passam a degringolar depois que a noiva revela a pior coisa que já fez na vida, levando a situações repletas de humor ácido, mas ainda vulneráveis o suficiente para que Zendaya demonstre a melhor atuação de sua carreira até o momento. Capturados pelo olhar do norueguês Kristoffer Borgli, os belos ambientes do filme erguem um espelho contra a classe média americana e fazem questionamentos sobre a moralidade do século XXI que têm sido debatidos pelos espectadores desde então. Leia mais neste link.
Devoradores de Estrelas
Quase nenhum outro blockbuster de 2026 demonstrou o mesmo virtuosismo de Devoradores de Estrelas, trama encantadora sobre o cientista acidentalmente escolhido para atravessar o universo e investigar a formação cósmica que está diminuindo a luz do Sol e ameaçando a vida na Terra. Quando chega no único sistema solar ileso ao fenômeno, Ryland Grace (Ryan Gosling) encontra um alienígena que está lá pelo mesmo motivo. Semelhante a um pedregulho ambulante, o ser recebe o apelido “Rocky” e forma uma bela amizade com o humano.
Dia D
Aos 79 anos, Steven Spielberg é tão visionário quanto era nos idos da Nova Hollywood, com os quais dialoga diretamente em seu novo filme, continuação temática de Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977). Na trama, o hacker Daniel Kellner (Josh O’Connor) obtém arquivos que comprovam a existência de vida alienígena e planeja divulgá-los ao mundo, tornando-se alvo de uma perseguição eletrizante que só desacelera em nome de interações do personagem com Margaret (Emily Blunt), uma jornalista que repentinamente ganha o dom de ler mentes e se sente guiada até o jovem. Grandioso e desavergonhado, o filme demonstra sentimentalismo raro em meio à ironia contemporânea e consegue argumentar a favor da esperança na humanidade de modo sofisticado, com boas ponderações sobre a importância da fé, do jornalismo e da arte. Leia mais neste link.
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