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Pesquisa Datafolha é atropelada por revelações políticas pela segunda vez no ano

19 de Junho de 2026, 11:53 0 visualizações
Pesquisa Datafolha é atropelada por revelações políticas pela segunda vez no ano

A nova pesquisa Datafolha, que começou a ser realizada nesta quarta-feira, 17, e será divulgada a partir desta sexta-feira, 19, chega cercada por uma circunstância que já se tornou familiar nesta pré-campanha presidencial: novamente, o instituto foi surpreendido por um fato político de grande impacto durante os dias de coleta, o que deve prejudicar o resultado final.

Desta vez, o elemento inesperado foi a operação da Polícia Federal que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A ação ocorreu ontem, 18, justamente quando os entrevistadores do instituto estavam em campo ouvindo eleitores em todo o país.

O episódio lembra o que ocorreu em maio, quando outra pesquisa nacional do instituto foi realizada em meio à explosão do caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Naquele momento, a divulgação dos áudios do parlamentar pedindo recursos para financiar o filme Dark Horse alterou o centro do debate político exatamente durante a coleta dos dados. O Datafolha voltou a campo na semana seguinte, extraordinariamente, para tentar mostrar os reflexos do caso.

O que aconteceu na pesquisa anterior?

As pesquisas divulgadas após o surgimento do caso Banco Master registraram uma deterioração consistente dos números de Flávio. AtlasIntel, Quaest, BTG/Nexus, CNT/MDA, Real Time Big Data e outros institutos passaram a apontar crescimento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tanto no primeiro quanto no segundo turno.

A própria Quaest identificou que 65% dos eleitores consideraram um erro o pedido de recursos feito por Flávio a Vorcaro. O levantamento também mostrou aumento da rejeição ao senador e perda de apoio entre eleitores independentes.

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Embora seja impossível atribuir matematicamente toda a movimentação eleitoral a um único episódio, o caso passou a dominar a agenda política justamente durante o período em que vários institutos estavam em campo.

O que pode acontecer agora?

A situação se repete em condições semelhantes. A coleta do Datafolha começou no mesmo dia em que a operação da PF contra Wagner se tornou o principal tema político do país. A investigação abriu espaço para que a oposição tentasse equilibrar o desgaste provocado pelo caso Banco Master, explorando uma possível associação entre o escândalo e o entorno do presidente Lula.

O problema para os analistas é que pesquisas captam percepções em tempo real. Quando um fato político de grande repercussão explode durante a coleta, parte dos entrevistados responde antes de tomar conhecimento do episódio, enquanto outra parcela já responde influenciada pelas novas informações.

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Por isso, o levantamento que será divulgado nesta semana pode refletir não apenas tendências estruturais da disputa presidencial, mas também os primeiros sinais de reação do eleitorado ao novo capítulo das investigações.

O que o Datafolha vai medir?

Além das intenções de voto para presidente, o instituto avaliará aprovação e reprovação do governo Lula, rejeição dos principais candidatos, percepção sobre economia, segurança pública e comportamento eleitoral. O questionário também inclui perguntas sobre o impacto político de um eventual apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a candidatos brasileiros — tema que ganhou força após a crise comercial envolvendo a ameaça de novas tarifas americanas.

A expectativa do mercado político é alta porque os últimos levantamentos apontaram um movimento convergente. Na CNT/MDA divulgada nesta semana, Lula aparece com 49,3% contra 36,8% de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Na BTG/Nexus, o presidente registra 49% contra 43%. No primeiro turno, os dois institutos também apontaram crescimento da vantagem do petista. A CNT/MDA mostrou Lula com 41,8% contra 28,2% de Flávio. Já a BTG/Nexus registrou 42% a 33%.

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A pesquisa conseguirá medir o impacto da nova crise?

Como a operação contra Wagner ocorreu durante a coleta, uma parcela dos entrevistados será ouvida antes de absorver completamente as informações, enquanto outra responderá já influenciada pela cobertura política. O resultado possivelmente será questionado tanto pelo governo quanto pela oposição.

Os números poderão funcionar menos como um retrato definitivo e mais como uma fotografia de transição entre dois momentos da campanha: o período dominado pelo desgaste de Flávio Bolsonaro após o caso Banco Master e a abertura de uma nova frente de desgaste potencial para o governo Lula.

VEJA+IA: Este conteúdo de pesquisas foi produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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