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Petróleo cai abaixo de US$ 80 após acordo entre EUA e Irã e expectativa de reabertura de Ormuz

16 de Junho de 2026, 20:50 0 visualizações
Petróleo cai abaixo de US$ 80 após acordo entre EUA e Irã e expectativa de reabertura de Ormuz
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Os preços do petróleo fecharam abaixo de US$ 80 por barril nesta terça-feira (16), atingindo o menor nível desde o início de março, à medida que investidores passaram a apostar na normalização gradual do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz após o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para ampliar o cessar-fogo e reabrir a principal rota energética do Golfo Pérsico.

O barril do Brent, referência internacional, caiu 5,1%, para US$ 78,96. Já o WTI, referência dos Estados Unidos, recuou 5,8%, encerrando o dia a US$ 76,05.

A queda amplia o movimento iniciado após Washington e Teerã anunciarem, no fim de semana, um entendimento para manter a trégua militar e permitir a retomada gradual da navegação pelo estreito, que vinha operando de forma limitada desde o início da guerra, em fevereiro.

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Guerra elevou preços ao maior nível em anos

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou forte volatilidade no mercado energético nos últimos meses.

Antes do início das hostilidades, o Brent era negociado em torno de US$ 72 por barril. Com os ataques militares e os riscos de interrupção do abastecimento, os preços chegaram a superar US$ 120 em abril.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio mundial de energia. Cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta e grande parte das exportações de gás natural liquefeito do Catar passam pela passagem marítima.

Analistas afirmam que o acordo reduziu parte do chamado “prêmio geopolítico” incorporado aos preços durante a guerra.

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Segundo Soojin Kim, analista do banco japonês MUFG, a expectativa de recuperação gradual das exportações da região diminuiu as preocupações imediatas com o abastecimento.

Além do petróleo, a perspectiva de maior oferta energética também ajudou a aliviar receios inflacionários em diversas economias.

Primeiros navios voltam a cruzar área de restrição

Sinais de retomada começaram a surgir nesta terça-feira. Dois petroleiros iranianos deixaram o Golfo de Omã e cruzaram a linha de bloqueio estabelecida pelos Estados Unidos, marcando os primeiros movimentos relevantes de exportação de petróleo iraniano sem interferência militar desde o início das restrições.

Mesmo assim, operadores do setor afirmam que a normalização completa ainda está distante.

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Empresas de navegação, seguradoras e comerciantes de petróleo alertam que o retorno ao fluxo pré-guerra poderá levar semanas ou até meses. Persistem preocupações relacionadas à presença de minas marítimas, riscos de segurança e custos elevados de seguro.

O presidente da Mitsui O.S.K. Lines, uma das maiores companhias de transporte marítimo do mundo, afirmou que muitos armadores ainda aguardam evidências mais concretas de que o acordo será duradouro antes de retomar rotas regulares pela região.

Bancos reduzem projeções para o petróleo

A melhora das perspectivas levou grandes bancos a revisar suas estimativas para os preços da commodity.

O Goldman Sachs reduziu em US$ 10 sua projeção para o Brent no último trimestre de 2026 e agora prevê cotações em torno de US$ 80 por barril. O banco passou a considerar que as exportações do Golfo Pérsico poderão retornar aos níveis anteriores ao conflito já no fim de julho.

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O UBS também avaliou que o mercado recebeu positivamente o acordo, embora tenha ressaltado que a recuperação do transporte marítimo dependerá da confiança de armadores e seguradoras.

Já o Morgan Stanley considera que o mercado continuará relativamente apertado durante o verão do hemisfério norte, mas vê os preços estabilizados próximos de US$ 80 por barril a partir do quarto trimestre.

Alívio para inflação e economia

A queda do petróleo tem reflexos que vão além do setor energético.

Preços mais baixos tendem a reduzir custos de combustíveis, transporte e logística, ajudando no combate à inflação em economias desenvolvidas e emergentes. O movimento também favorece companhias aéreas, empresas de transporte e setores intensivos em energia.

Por outro lado, ações de grandes petroleiras vêm sofrendo pressão nos mercados financeiros diante da perspectiva de receitas menores caso a commodity permaneça próxima dos níveis atuais.

Apesar da forte correção desta semana, especialistas afirmam que o mercado continuará sensível a qualquer sinal de descumprimento do acordo entre Washington e Teerã, mantendo a volatilidade elevada nos próximos meses.

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