Rio Grande do Sul quer ser alternativa mundial na fabricação de semicondutores
Começou nesta terça-feira, em Porto Alegre, um encontro que promete ser um marco na discussão sobre a fabricação de semicondutores no Brasil. O Semi-Con LAC reúne até sexta-feira, em Porto Alegre, representantes empresariais, acadêmicos e gestores públicos da América Latina e do Caribe, além de delegações de países que lideram o setor global, como Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Malásia e integrantes da União Europeia.
O objetivo é debater caminhos para fortalecer uma indústria considerada estratégica para o futuro da economia e da inovação.
70 milhões de reais de investimento
O evento ocorre em um momento em que o Rio Grande do Sul tenta consolidar sua posição como um dos principais polos de semicondutores da América Latina. Há pelo menos quatro anos, o estado vem estruturando políticas voltadas ao setor e projeta alcançar R$ 70 milhões em investimentos até 2026.
A estratégia inclui ampliar a atração de empresas, fortalecer a pesquisa e desenvolver mão de obra especializada para atender uma demanda crescente da indústria global.
Caminho alternativo
Segundo Lisiane Lemos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China abriu espaço para o surgimento de novos polos de produção. “Hoje a gente tem uma dualidade China e Estados Unidos pela produção de tecnologia, mas há que se construir um caminho alternativo e soberano.
É aqui que a gente quer se posicionar”, afirmou. De acordo com ela, grandes empresas de tecnologia já observam o estado como uma alternativa para diversificar suas cadeias produtivas.
Diferencial
Um dos diferenciais apontados pelo governo gaúcho é a combinação entre infraestrutura tecnológica e formação de talentos. O estado abriga importantes parques tecnológicos e universidades reconhecidas nacionalmente, além de iniciativas voltadas à qualificação profissional, como cursos de pós-graduação para designers de semicondutores.
A intenção é criar um ambiente capaz de atrair investimentos e acelerar a transformação do conhecimento em negócios.
Indústria de energia limpa e integração com pesquisa
Durante o simpósio, também estão em pauta temas como linhas de financiamento para a indústria, geração de energia limpa e integração entre pesquisa acadêmica e setor produtivo. Para Lisiane, esse é um dos principais desafios do país. “Como é que eu faço uma produção acadêmica se tornar em resultado para geração de negócios? Acho que esse é o grande desafio que a gente tem enquanto Brasil”, destacou.
Expectativa
A aposta é alta. A expectativa do setor é que a indústria global de semicondutores movimente até US$ 1 trilhão nos próximos anos. “Existe uma fatia muito grande que a gente quer ainda se apropriar”, afirmou a secretária. Na avaliação dela, a construção dessa trajetória passa pela soberania tecnológica, pela cooperação entre diferentes setores e pela capacidade de transformar inovação em desenvolvimento econômico.