Sem gays assumidos na Copa, seleção brasileira de vôlei levanta bandeira
Ainda que o assunto do momento seja Copa do Mundo, é necessário, no mês da diversidade, se falar dos recentes episódios de homofobia sofridos por jogadores da seleção brasileira de vôlei nas redes sociais. Em paralelo ao silêncio no futebol, tema ainda tabu em vários outros esportes, é verdade, pesquisas mostram que consumidores LGBTQIA+ valorizam cada vez mais marcas comprometidas com diversidade e representatividade
Os ataques homofóbicos direcionados a jogadores assumidamente gays da Seleção Brasileira masculina de vôlei reacenderam um debate que vai muito além das quadras. O episódio envolvendo Douglas Souza, Maique Reis, Douglas Pureza e Adriano Xavier expõe uma contradição cada vez mais evidente no Brasil. Embora manifestações preconceituosas ainda encontrem espaços nas redes sociais, consumidores demonstram uma expectativa crescente por inclusão, respeito e representatividade.
Essa mudança também está transformando a forma como as marcas se relacionam com seus públicos. Segundo o estudo Oldiversity da Croma Consultoria sobre diversidade e inclusão mostra que o consumidor LGBTQIA+ não apenas deseja ser representado, mas espera que empresas assumam um papel ativo na construção de ambientes mais inclusivos. Entre esse público, 75% afirmam apoiar movimentos ligados à diversidade e se sentir representados quando aparecem explicitamente na comunicação das marcas, índice bem superior aos 60% registrados na população em geral.
O estudo revela ainda que a identificação entre esse público e campanhas que abordam diversidade é alta. 77% dos entrevistados LGBTQIA+ afirmam se reconhecer em propagandas que tratam do tema, enquanto 73% acreditam que diversidade deve fazer parte das empresas e das marcas. Os números mostram que a inclusão deixou de ser apenas uma pauta institucional para se tornar um fator de conexão e relevância.
Para Edmar Bulla, fundador da Croma Consultoria e idealizador do estudo, ” os ataques aos atletas mostram que ainda existe uma parcela da sociedade resistente à diversidade, mas os dados revelam uma realidade importante para as marcas: o consumidor está cada vez mais atento à forma como as empresas se posicionam. Representatividade já não é apenas uma questão de comunicação. Ela influencia reputação, preferência e decisão de compra. Hoje, mais do que dizer o que defendem, as marcas precisam demonstrar coerência entre discurso, práticas e experiência oferecida ao público. O silêncio já não é interpretado como neutralidade e, em muitos casos, pode ser percebido como omissão .”
O impacto dessa percepção chega diretamente ao consumo. 73% das pessoas LGBTQIA+ afirmam deixar de comprar produtos ou serviços de empresas associadas a comportamentos preconceituosos. Ao mesmo tempo, 49% acreditam que marcas brasileiras ainda reproduzem práticas discriminatórias, evidenciando uma distância importante entre discurso e prática.
Paralelamente, a pesquisa mostra que o debate ainda gera insegurança em parte do mercado. 38% dos brasileiros acreditam que as marcas correm riscos ao levantar bandeiras relacionadas à diversidade, enquanto 35% entendem que empresas assumem riscos ao associar sua imagem ao público LGBTQIA+. Os dados ajudam a explicar por que algumas organizações ainda adotam posicionamentos cautelosos diante de temas ligados à inclusão.
No entanto, a lógica do mercado vem mudando. “Se antes o risco estava em se posicionar, hoje ele também pode estar na omissão. Consumidores, investidores e colaboradores passaram a avaliar não apenas os produtos oferecidos por uma empresa, mas também os valores que ela representa”.
O caso dos jogadores da seleção brasileira ilustra exatamente esse cenário. As mesmas redes sociais que amplificam discursos de ódio também funcionam como espaço de mobilização, cobrança e apoio. Para as marcas, isso significa que diversidade deixou de ser uma pauta restrita a campanhas institucionais e passou a integrar a construção diária de reputação.
Para as empresas, a mensagem é clara. Em um ambiente cada vez mais conectado, transparente e orientado por valores, inclusão não é apenas uma questão de imagem. É uma estratégia de relacionamento, confiança e relevância para consumidores que esperam ver suas identidades, histórias e experiências refletidas de forma genuína nas marcas com as quais escolhem se relacionar.
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