Tribunal no Chile condena três ex-agentes de Pinochet por atentado nos EUA em 1976
Um tribunal em Santiago condenou nesta segunda-feira, 22, três ex-agentes do ditador chileno Augusto Pinochet que detonaram um carro-bomba em Washington, nos Estados Unidos, em 21 de setembro de 1976. Orlando Letelier, ex-ministro chileno e embaixador nos EUA, e a americana Ronni Karpen Moffitt, do Institute for Policy Studies, estavam no veículo e morreram.
A ministra especial dos direitos humanos do Chile, a juíza Paola Plaza, condenou Pedro Espinoza, José Zara e Raúl Iturriaga a 15 anos de prisão pelo assassinato de Moffitt, que tinha 25 anos. Eles eram agentes da Dirección Nacional de Inteligencia (Dina), a polícia secreta de Pinochet que perseguia opositores tanto no país quanto no exterior.
Sob ordens do chefe da Dina, Manuel Contreras, o trio elaborou um plano para realizar os homicídios extrajudiciais e vigiou Letelier, que teve o assassinato inicialmente investigado de forma separada. Espinoza e Iturriaga já cumprem pena de 500 anos por vários crimes e estão detidos em uma penitenciária nos arredores de Santiago. Zara, contudo, havia sido libertado no ano passado após cumprir 15 anos de prisão.
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“Essas sentenças não são apenas uma vitória para nossa família, mas também uma lembrança de que as inúmeras vidas arruinadas pelo regime de Pinochet ainda estão sendo defendidas, de que a dor do povo chileno não será esquecida”, afirmou Rebecca Karpen, sobrinha de Moffitt, em comunicado.
Crítico de Pinochet, Letelier passou um ano preso em um campo de concentração em uma ilha na Patagônia. Depois, foi transferido para outro centro no litoral do Chile. Ele recebeu exílio político dos Estados Unidos e chegou no país em 1975. No ano seguinte, o ditador revogou a cidadania chilena do diplomata. Letelier tinha 44 anos quando foi assassinado.
Outros militares foram condenados por envolvimento no crime ainda na década em 1990. O americano Michael Townley, um colaborador da Dina, chegou a confessar ter participado das mortes em 1978. No entanto, em 2012, um tribunal de apelações em Santiago decidiu reabrir o caso de Montiff, já que foi assassinada por chilenos.