A vitória estratégica das montadoras chinesas na Camex
A decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de manter o cronograma de alta das tarifas para carros elétricos, mas restabelecer uma cota de US$ 463 milhões com alíquota zero para kits desmontados, foi recebida como uma vitória estratégica pelas montadoras chinesas que preparam sua operação industrial no Brasil.
Na prática, o novo desenho preserva o aumento do imposto para veículos prontos, que sobe para 35% a partir de julho, mas cria uma janela de seis meses para a importação de kits CKD e SKD sem cobrança da tarifa cheia. O alívio beneficia diretamente empresas como BYD e GWM, que tentam acelerar a montagem local enquanto suas fábricas ganham tração no país.
A solução irritou montadoras tradicionais ligadas à Anfavea, que pressionavam o governo pelo fim de qualquer benefício tributário aos importados e chegaram a apontar risco de quebra de isonomia. O argumento do governo, porém, foi outro: diferenciar quem apenas importa veículos prontos de quem assumiu compromissos de investimento industrial no Brasil.
Com a decisão, o MDIC tenta calibrar uma equação delicada. De um lado, atende à indústria já instalada ao manter a escalada tarifária. De outro, dá fôlego às novas entrantes chinesas que prometeram transformar suas vendas no país em produção local.