Vaticano rejeita pedido para que mulheres realizem sermões
O Vaticano rejeitou nesta terça-feira, 23, um pedido feito por bispos alemães para permitir que cristãos não pertencentes ao clero, incluindo mulheres, pudessem realizar sermões em missas. A solicitação buscava romper com uma regra de longa data da Igreja Católica, que reservava tal direito aos padres e diáconos ordenados.
“A disciplina atual não pode ser dispensada”, informou um comunicado emitido pelo Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos do Vaticano. “A reserva da homília a um padre ou diácono não é uma mera norma disciplinar, mas deriva da própria natureza da liturgia”, completou o órgão, que é responsável por supervisionar a prática religiosa dos 1,4 bilhão de católicos no mundo.
Tradicionalmente, os cultos na Igreja Católica incluem um sermão, no qual um padre ou diácono oferece uma reflexão acerca das leituras bíblicas feitas naquele dia. No entanto, a Igreja Católica entende que, por agir “in persona Christi” (na pessoa de Cristo) durante a cerimônia, é Deus que está agindo por meio do sacerdote ordenado ao longo do culto.
Embora leigos — nomenclatura atribuída a católicos não ordenados — possam proferir sermões em celebrações religiosas fora da missa, eles não têm permissão para realizar tal ato no principal rito católico. Ainda assim, padres em diferentes países ocidentais contestam a validade da norma.
Na visão dos clérigos, também podem ser capazes de proferir sermões, e há um desejo de ouvir manifestações de mulheres, que não podem ser ordenadas na Igreja Católica. Esse contexto motivou a Conferência Episcopal Alemã a solicitar, no início deste ano, uma permissão para que leigos também pudessem discursar na missa.