Venezuela cria fundo de R$ 1 bilhão com recursos do FMI para reconstrução após terremotos
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira, 25, a criação de um fundo de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para financiar a reconstrução das áreas atingidas pelos terremotos que devastaram parte do país. Os recursos, segundo ela, virão de reservas disponíveis junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
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O anúncio ocorre enquanto as autoridades venezuelanas contabilizam os impactos do desastre. De acordo com o balanço mais recente do governo, os tremores deixaram ao menos 188 mortos e mais de 1.500 feridos, além de centenas de desaparecidos. Equipes de resgate seguem trabalhando entre os escombros de edifícios que desabaram em diferentes regiões.
Em entrevista à emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV), Rodríguez afirmou que o montante será destinado à reconstrução de hospitais, redes de infraestrutura e moradias para famílias que perderam suas casas.
“Esse fundo inicial permitirá recuperar serviços essenciais e garantir moradia às pessoas afetadas pela tragédia”, disse.
Os terremotos atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira. O primeiro abalo, de magnitude 7,2, foi registrado próximo à cidade de Morón. Apenas 39 segundos depois, um segundo tremor, ainda mais forte, de magnitude 7,5, atingiu praticamente a mesma região, agravando os danos.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o terremoto de magnitude 7,5 foi o mais intenso registrado no país desde o início do século XX. Especialistas classificam o episódio como um “terremoto duplo”, ocorrência incomum em que dois grandes abalos sísmicos acontecem em sequência e na mesma área.
Os tremores provocaram desabamentos, interrupções no fornecimento de energia e danos a estradas, hospitais e edifícios públicos. O estado de La Guaira, localizado no litoral norte e uma das áreas mais afetadas, foi declarado zona de desastre pelas autoridades.
A resposta à emergência também mobilizou organismos internacionais. O coordenador de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher, afirmou que a recuperação exigirá um “esforço coletivo massivo” e informou que equipes internacionais de busca e resgate estão sendo enviadas ao país.
Segundo a ONU, quase 8 milhões de venezuelanos já dependiam de assistência humanitária antes dos terremotos. A avaliação da entidade é que a tragédia pode agravar ainda mais a situação de vulnerabilidade enfrentada por parte da população.